Entrevista: Leonardo de Castro avalia o setor industrial

Foto: Rafael Porto / Findes

“Somos otimistas e sempre buscamos mais. Acredito que a indústria capixaba tem uma tendência mais positiva e animadora para 2019.”

O Espírito Santo está no caminho certo quando se trata do setor industrial. Tudo isso é resultado de ações que a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) em parceria com o governo do Estado está tomando para aumentar a confiança dos empresários e dos investidores. Para explicar os resultados da economia capixaba e quais rumos o Estado precisa tomar para evoluir ainda mais, o presidente da federação, Leonardo de Castro, falou com exclusividade à ES Brasil. Confira!

Em 2017 houve importantes conquistas como o controle da inflação, certa redução de juros, estagnação da perda de empregos e a reforma trabalhista. Qual a avaliação o senhor faz da economia do Brasil e do Espírito Santo em 2018?

Os dois últimos anos 2017/2018 foram anos que, de fato, o Brasil conseguiu avançar em uma agenda importante: a de reformas do país. Foi citada a reforma Trabalhista, mas também tivemos a reforma do Ensino Médio aprovada, mudamos a forma de exploração do pré-sal, o teto de gastos, entre outras ações que contribuíram para colocar o país em uma linha de desenvolvimento de maior intensidade. Já 2015/2016 foram anos muito difíceis que refletiram no Produto Interno Bruto (PIB). Foram quedas importantes, em que a economia brasileira voltou a que era em 2010. Foram oito anos perdidos, praticamente. Enquanto o Brasil estava em recessão outras partes do mundo estavam crescendo, em especial os países desenvolvidos, em que a taxa de crescimento é menor por serem economias mais avançadas. Essas economias cresceram a taxa de 3%, em contrapartida o Brasil recuava 3 a 4%. Isso teve uma consequência enorme para a economia e para a população. O país estava em processo de crescimento e tinha uma agenda mais ousada ainda, estávamos no caminho correto de reformar o país. Isso tudo foi paralisado pelo caso da JBS que paralisou o governo e que precisou se concentrar em resolver essa questão e perdeu força no Congresso Nacional para avançar na agenda. Com isso, saímos do “atoleiro”, mas continuamos nos reerguendo devagar, tanto que o PIB em 2017 cresceu 1% e em 2018 caminhamos para um cenário similar. Mas não tenho dúvidas de que esses avanços que conquistamos vão repercutir na economia, mas essas reformas que aconteceram trarão um resultado positivo. Já o Espírito Santo é um Estado que tem sido exemplo para o país em várias frentes. Nós somos ranqueados como o primeiro em educação pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), além de sermos o único com a nota A no Tesouro Nacional, responsável pelo equilíbrio fiscal. Também avançamos na agenda de infraestrutura e na melhoria do ambiente de negócios, mas somos apenas 2% do Brasil, então o Espírito Santo não se basta. O Estado precisa ser bem gerido e ter boas empresas operando como está tendo, mas só isso não resolve, pois vivemos em um país em que as empresas precisam comercializar com outros Estados e o reflexo das políticas federais trazem repercussões objetivas para nós, mas não conseguimos “balançar” o país pelo nosso tamanho, naturalmente sofremos o mesmo que o país sofre, mas em termos de política local somos um exemplo.

Foto: Rafael Porto / Findes

Em quanto deveria fechar a produção industrial em 2018 no Brasil e no Espírito Santo? Quais setores se destacaram no ano passado?

Iniciamos este ano com a expectativa de que o Brasil cresceria economicamente pelo menos 3%, entrando em um consenso por parte dos economistas e da sociedade, mas isso foi se desconstruindo ao longo do ano. Estamos caminhando para um crescimento perto de 1% e isso é reflexo de vários fatores que causaram essa frustração. Não conseguir avançar nas reformas que o país precisa, como é o caso das Reformas Trabalhista, da Tributária e da Política. O desemprego não cedeu e convivemos com um índice muito grande; a greve dos caminhoneiros que parou o país por um longo prazo; o período eleitoral traz uma série de dúvidas, então os 3% que eram previstos não foram consolidados. O último boletim Focus estima 1,3% até o fim do ano. A indústria nacional segue na mesma linha, pois era previsto no início do ano quase 4% de crescimento, mas de acordo com o boletim a previsão é de 2,2%. No caso do Espírito Santo, por características da indústria capixaba que exporta muito, inclusive para outros Estados, está tendo um desempenho pior que o nacional, devido ao comportamento de alguns setores em especial, como por exemplo, o de celulose que tivemos queda grande perto de 8%, pois a Fibria, por exemplo, não está tendo o volume de eucaliptos para alimentar a produção; o de minerais não metálicos por causa da paralisação de uma fábrica de cimento no Sul do Estado; o setor de extração de rochas ornamentais também teve uma produção reduzida; o setor de óleo e gás caiu a produção, ou seja, a produção física está em queda em relação a 2017. Mas é importante destacar que houve uma recuperação de preços de commodities no mundo e isso reflete aqui. E no setor que vem se destacando continuamente no Estado é o de alimentos e bebidas, nos últimos anos tem demonstrado resistência e crescimento importante, Durante o ano, nós tivemos ampliações de indústrias, como é o caso da Buaiz Alimentos, entre outras.

O resultado correspondeu ao previsto?

Somos otimistas e sempre buscamos mais. Acredito que a indústria capixaba tem uma tendência mais positiva e animadora para 2019. O fato da Suzano ter incorporado a Fibria deve sanar problema de falta de matéria-prima para a fábrica operar com um volume maior, já que possui florestas no Espírito Santo que poderá compartilhar com a empresa; a Vale ligou duas novas usinas no final do primeiro trimestre, então pegamos uma parte desse crescimento e no próximo ano pegaremos o total. Apesar de estar otimista para 2019, queremos entender as primeiras ações do governo federal, mas há uma ligação muito intensa e forte, mas por tudo o que foi dito pelo presidente eleito durante a campanha acredito que vamos enfrentar os problemas reais do país e criar um ambiente melhor.

Em 2017, a indústria extrativa apareceu como uma aposta do Brasil. Como esteve esse segmento em 2018?

A indústria extrativa continua sendo importante para o Brasil. Se considerar que em 2018 tivemos uma recuperação de preços de commodities, e quando falamos de indústria extrativa falamos delas, essa é uma indústria que o país tem tradição e competitividade global, então faz parte do nosso pilar exportador, pois é uma indústria que continua crescendo e investindo. Veja a recuperação dos resultados da Vale e da própria Petrobras. É muito importante registrar que nos últimos dois anos houve a retomada dos blocos de exportação de petróleo no Brasil. Ficamos quase oito anos andando devagar ou praticamente estagnados com essa questão. Enquanto o mundo abria novas fronteiras de petróleo, o Brasil achava que era melhor deixar “enterrado” em um mundo em que a matriz energética está mudando, e estamos caminhando para uma matriz da energia renovável. Com os anos, a tendência é que o petróleo perca valor ao longo do tempo, e em vez desse petróleo ter sido extraído, o país foi estocando, mas nos últimos dois anos os leilões foram retomados e isso despertou essa indústria, que é uma das maiores do mundo. Os investimentos no mercado de óleo e gás são estimados em mais de 100 bilhões nos próximos anos e boa parte desse petróleo está no Espírito Santo, por ser o segundo maior produtor receberá uma grande parte desse dinheiro. Essa atitude vai retomar a dinâmica de forma mais intensa nos próximos anos é positivo e promissor.

O prejuízo do não retorno da Samarco é cumulativo? Por que tantas vezes esse retorno foi adiado? O empenho político foi pouco?

Não é cumulativo porque quando ela parou há três anos o impacto grande veio em 2016, inclusive a produção capixaba teve a queda de dois dígitos. Esse assunto realmente tem sido adiado, mas acredito que agora estamos na reta final, pois estivemos com o CEO da Samarco e ele nos informou que já começou a construção da cava para receber os rejeitos da produção e está otimista pela conquista da Licença de Operação Corretiva (LOC), além de ter afirmado que retomará a operação ainda no primeiro trimestre de 2019, início de 2020. Mas tem uma fase pré-operacional em que precisa organizar a indústria que já gera um movimento grande na economia como um todo. Então essa é a maior expectativa para 2019, e penso que não tem nada mais relevante para o Espírito Santo do que o recomeço da Samarco, nada impacta mais a nossa economia pelo tamanho e representatividade que ela tem. Além disso, a empresa representa quase 5% do PIB capixaba e isso é uma enormidade já que estava posicionada entre as 10 maiores exportadoras do país. Com isso, o Brasil, o Espírito Santo e os municípios ao Sul perderam muito com o fechamento da companhia.

O governo do Estado tem auxiliado nesse processo de reabertura da Samarco?

O Estado tem sido um ator importante nessa retomada da empresa. Tanto o governo do Estado, quanto a sociedade, em especial a Findes, tem trabalhado pela retomada da operação da Companhia. Participamos de todas as audiências públicas, dos diálogos para retomar as licenças no governo de Minas Gerais, ou seja, no âmbito federal, sempre estivemos ao lado da empresa por conta da importância e da reputação que tem, afinal a Samarco sempre foi uma empresa tradicional, valorizada e admirada pelos capixabas, sempre teve um convívio harmonioso com a comunidade do entorno. Por isso o governo do Estado tem, sim, trabalhado e continua trabalhando para vê-la operando.

A média de crescimento do Brasil é a metade conquistada pelos outros países da Brics (formada pelos países Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O empresariado e a classe política brasileira precisam ser mais ambiciosos se quiserem ver o país realmente crescer?

É o discurso que faço: falta ambição ao Brasil, ao brasileiro e ao capixaba. Nós precisamos ficar mais inconformados, pois somos considerados a 8ª economia do mundo. Temos um mercado interno de mais de 200 milhões de consumidores, estamos bem posicionados. Temos que pensar que crescer 4% a 5% precisa ser uma coisa normal e desejada no Brasil por um ciclo mais longo. Como disse anteriormente, nós retroagimos e a economia dos países desenvolvidos só cresceu. A economia norte-americana, por exemplo, vai crescer mais de 3% este ano. É a maior economia do mundo. Nós que somos 1/3 da economia norte-americana não podemos nos contentar com o crescimento de quase 1%. Precisamos de mais ambição, mas para isso precisamos de uma mudança de marcos regulatórios, de pensar o desenvolvimento do país, temos que permitir a entrada do capital privado para os investimentos do Brasil. Nós temos um déficit gigantesco e um monte de empresas querendo investir em infraestrutura, mas por questões ideológicas ou falta de segurança jurídica isso não avança e com isso perde o país inteiro. As empresas perdem competitividade, a população perde oportunidades e acabamos crescendo menos. Acredito que temos, sim, potencial, mas cansamos de ser o país do futuro, precisamos ser o país do presente, precisamos de lideranças ambiciosas que criem condições para que o país cresça. Não falo de governo, de recursos apenas. Temos dinâmica, temos demanda, déficit, precisamos abrir as fronteiras para o capital privado, pois o Brasil é um dos destinos mais procurados para investimento do capital internacional e nós podemos fazer muito mais.

Foto: Rafael Porto / Findes

Em meio a tantos escândalos, a economia conquistou certo distanciamento da política, que chegou a parar o país. Qual cenário é esperado a partir de 2019 quanto ao relacionamento da indústria com o novo presidente e o Congresso, diante desse alto percentual de renovação?

Conquistamos vários avanços e debatemos os assuntos, pois sem debate não há mudança. Entrou na agenda da população falar de equilíbrio fiscal, da Reforma da Previdência, de crédito financeiro, de infraestrutura, ou seja, as pessoas estão falando de uma forma mais aberta. Acreditamos que existe um ambiente para avançar nessas reformas para criar um 2019 melhor do que foi 2018. Mas o mundo é de quem sabe executar bem, pois as ideias estão aí há bastante tempo e o que diferencia uma pessoa da outra é a capacidade que ela tem de coloca-las em prática. E é o que esperamos do próximo governo. Nós não vamos conseguir evoluir economicamente sem mudar a forma de fazer política e sem tratar os problemas históricos que o país tem. Nós estamos em um momento de saturação. Não há nada de novo para contar, mas o que esperamos de novo é a capacidade de convencimento e execução para conseguir superar as novas agendas que surgirão. Enquanto o mundo está mudando e se ajustando e buscando velocidade, nós ficamos filosofando e debatendo e com isso todo mundo perde. É um atraso considerável, muito grande mesmo.

No mercado internacional, as primeiras reações após a vitória de Jair Bolsonaro para a Presidência da República foram de anúncios de atração de investidores. Podemos apostar nessa tendência?

 Eu acredito nisso. Onde tem estabilidade, regras claras e ambiente de negócios em pró-desenvolvimento há investimento. O dinheiro é um ente rápido e esperto, ele vai onde é bem tratado e recebido. Isso é o que precisamos criar no Brasil, durante a campanha do presidente eleito o discurso foi muito em pró-desenvolvimento e pró-negócio e depois que ganhou o discurso se manteve na mesma linha e as escolhas que ele está fazendo para a equipe são boas, está fazendo mudanças, já que elegemos um presidente para fazer mudanças. Esse discurso de que está fundindo pastas é necessário, pois se não as fizesse seria estranho, pois todos o elegeram para mudar, e precisamos dar um voto de confiança, além de trabalhar para fazer dar certo. Torcer contra é a pior escolha que qualquer um pode fazer. Nós estamos vivendo em uma sociedade que está “esgarçada”, com 12 a 14 milhões de desempregados, dependendo da fonte, um país que há quatro anos retroagiu oito, em que a taxa de investimento está baixa. A sociedade não aguenta mais e toda a “gordurinha” que tínhamos nós já queimamos, então agora precisamos andar para frente.

Como o senhor avalia a quantidade de postos de trabalho nas indústrias capixabas?

A indústria do Espírito Santo teve uma geração de postos de trabalho positiva, em torno de 8 mil novos até outubro de 2018, mas ainda é muito pouco. A construção civil, por exemplo, nos últimos 5 anos exterminou cerca de 30 mil postos de trabalho no Estado. É muita coisa. Fez isso porque a condição exigia essa atitude, então todos estão sofrendo com isso. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem uma pesquisa que procura identificar os maiores receios da população brasileira. De acordo com as pesquisas, os resultados sempre foram segurança e educação. Há dois a três anos passou a ser o desemprego. Precisamos trabalhar todos juntos para voltar a aumentar a capacidade de geração de empregos.

A união não tem dinheiro para as grandes obras que o país e o Estado precisam. Como definir as melhores ferramentas: concessões, privatizações, Parcerias Público-Privadas (PPPs)?

Isso é outro assunto que precisamos comunicar melhor à sociedade. Primeiro é necessário fazer uma escolha de governo de permitir uma participação mais intensa do capital privado no investimento. O fato é que o governo não tem dinheiro para investir, ele não tem dinheiro para pagar as próprias compras. São 150 bilhões de reais de dívida e déficit há quatro anos com a perspectiva de continuar desta forma por mais alguns anos. Tomando boas medidas ainda vamos ter esse déficit por mais uns dois anos, mas se recupera. Não nos resta solução a não ser trazer o capital privado ou buscar um financiamento. Mas para fazê-lo é necessário ter crédito e para tê-lo é preciso ter bom comportamento fiscal e, por enquanto, o Brasil não tem, ou seja, não há confiança. Já o Espírito Santo tem essa confiança e o fato de ter o rating A do Tesouro Nacional faz com que acesse crédito de forma mais competente e com o custo mais baixo. Precisamos enfrentar e priorizar as concessões, as PPPs, a participação do capital privado, e isso precisa ser dialogado com a população e ser desmistificado, pois ter o capital privado não quer dizer que fica mais caro, o preço é o da operação, que já está colocado. Quando ele é trazido se consegue fazer mais, pois é mais eficiente do que o capital púbico e as agências reguladoras monitoram o que pode ser feito, além de organizarem o que se pode cobrar. Mas, às vezes, a população acha que fazer uma PPP a tarifa será paga por fora, mas muitos não sabem que essa tarifa já está embutida. Se ela não está no preço é porque o governo está pagando de outra forma e está camuflando o preço e quando o governo paga, na verdade é a população quem paga porque o dinheiro é do povo. Ter eficiência e eficácia também é muito bom para todos. Os políticos precisam comunicar melhor, assimilar e conseguir colocar isso em prática, ter uma boa execução, convencer a sociedade de que é bom e deixar andar, pois o capital privado quer investir no Estado, pois tem boas oportunidades aqui.

Foto: Rafael Porto / Findes

O governo norte-americano tomou a decisão de revisar sua política de comércio internacional, assinando um decreto que cria a sobretaxa ao aço e alumínio importados, de 25% e 10%, respectivamente. Como essa decisão está refletindo no Espírito Santo?

Essa decisão ainda não afetou o Estado, pois a ArcelorMittal tem conseguido operar nos mesmos níveis de exportação de antes. Essa é uma tendência que os países estão revendo seus acordos comerciais e, no Brasil, o presidente eleito disse que também disse que fará o mesmo para abrir mais o país, mas não pode simplesmente abri-lo, tem que ter uma contrapartida, para ampliar a capacidade das empresas brasileiras de fazerem transações com outros países. Nós ficamos muito atrasados com essa agenda de acordos comerciais entre países, por ideologia nos concentramos na agenda muito ligada à América Latina, preterindo Europa, Ásia, América do Norte que são as economias mais dinâmicas. Agora nós vamos partir para uma agenda mais pragmática e expansionista de comércio internacional.

Quais são os avanços que alcançamos no Espírito Santo ao longo de 2018?

No ambiente da infraestrutura isso é condição para o Estado crescer ainda mais. A partir de agora temos um aeroporto funcionando no padrão de qualidade importante; Foi iniciada a obra de ampliação da pista do aeroporto de Linhares que vai criar uma condição para a região receber voos comerciais de grande porte; ainda no modal aéreo houve a mudança da legislação da tributação do combustível que deve aumentar a frequência de voos no Espírito Santo; Além disso, as obras da BR 262 começaram. Serão 52 km de duplicação e a obra já possui licitação e uma empresa ganhadora que já restaurou 7 km. Havia preocupação em dar seguimento a essa obra, mas com a ajuda do senador Ricardo Ferraço, que correu atrás de recursos, não teremos com o que nos preocupar; a Eco Rodovias retomou a duplicação da BR 101. O ano de 2018 marca o reposicionamento da concessionária na gestão da rodovia. Há mais de 30 km em obra em vários trechos no Estado e a previsão é de que assim que terminar de ligar Viana a Guarapari, ela dará andamento em 2019 ao trecho Guarapari- Cachoeiro de Itapemirim; também conquistamos a Licença de Implantação Ambiental do Porto Central e do Porto da Imetame, dois projetos privados que vão tratar o grande déficit de cargas gerais. Os dois projetos estão liberados e a Imetame já está em andamento; Concluímos o estudo para fazer a concessão de Barra do Riacho, na região de Aracruz. A Findes participou do processo que possibilita o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) para o governo federal entender que podemos ter a concessão da região; e avançamos na discussão da ferrovia Vitória-Rio de Janeiro. A proposta da Vale é estendê-la até Anchieta e como está em conversa com o governo do Estado esperamos que essa negociação tenha prosseguimento e sucesso, pois há um compromisso do governo federal em investir mais 1 bilhão de reais para dar seguimento a essa obra e possibilitar que a ferrovia seja alongada. O recurso vem de uma multa da Ferrovia Centro Atlântica S.A. (FCA), inclusive o deputado Lelo Coimbra reafirmou em discurso na Câmara dos Deputados que esse compromisso foi firmado. Avançamos em vários modais e isso vai criando mais condições. Ainda não está bom, mas temos que ter a noção de que avançamos e que devemos celebrar, além de colocar o desafio ainda mais a frente. Isso nos anima porque é competitividade transversal, não para algumas empresas apenas, mas para o todo o Espírito Santo, do micro ao grande empresário. Outro fato relevante foi a unidade administrativa da Petrobras do Estado que passou a ser a gestora de outros blocos de exploração no país. Recebeu novos colaboradores, passou a ter relevância maior e esses negócios passaram a ficar mais perto de nós. Junto com a Shell e outras empresas tem dado uma dinâmica cada vez maior ao setor de petróleo e gás que tem maior representatividade em todo o mundo.

Existem outros projetos que podem auxiliar o crescimento do Estado?

Convivo com os presidentes de outras federações e quando conto a eles sobre os resultados que alcançamos no Espírito Santo eles ficam admirados e querendo conhecer mais. Isso atrai investimentos. Uma série de indústrias estão chegando no Estado e o empresário vai atrás de locais para investimentos e aqui estamos criando condições para recebe-las de forma muito competente. O Simplifica é uma lei que estabelece diretrizes e procedimentos para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas, cria a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM). Ele abrange sete frentes de trabalho como o Corpo de Bombeiros, a Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH), o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), a Junta Comercial, entre outras, surgem para desburocratizar os processos industriais; o Código de Defesa do Contribuinte também é importante, pois nós, enquanto contribuintes, precisamos saber os nossos direitos e o que estamos pagando, tem que ser uma relação de confiança com os nossos governantes. Nesse mês foi aprovada uma medida inteligente e pioneira no Estado, que é a questão dos atestados médicos digitais, considerado um avanço e que recupera os valores da sociedade, o valor da verdade, pois se sairmos da fraude dos atestados falsos que afetam a produtividade nas indústrias, por exemplo, são várias ações que criam um ambiente favorável ao empreendedor que é o que gera muitas oportunidades.

Foto: Rafael Porto / Findes

E quanto a parceria da Findes com a EDP, estamos na vanguarda nesse segmento de energias renováveis?

Essa parceria tem um simbolismo. As energias renováveis são uma realidade cada vez maior dentro da sociedade, de forma geral. O ciclo de mudança na sociedade está cada vez menores, pois o que no século passado demorava cerca de 20 anos para amadurecer e ser incorporado, hoje passou a ser bem rápido, dinâmico. A indução da chegada dos carros elétricos no Espírito Santo que estão sendo anunciados por empresas como a Volvo e a Porsche, que já disseram que começarão a comercializá-los a partir de 2020. Desta forma, precisamos criar essa cultura no Estado e preparar as indústrias para isso, então vai gerar oportunidades na indústria de reparação de veículos, oportunidade que surge do conceito de cidades inteligentes e sustentáveis. Esse diálogo com a EDP, empresa pioneira no mundo, surgiu a parceria e juntos vamos estabelecer sete postos de abastecimento, mas ainda teremos muitas novidades para que o Espírito Santo receba essa tecnologia de forma rápida.

Chegará o dia em que teremos uma agenda voltada para o desenvolvimento da nação, e não para perpetuar grupos no poder?

Acredito que a sociedade vai ganhando maturidade e entendendo que o que gera riqueza em uma nação é o ambiente favorável ao empreendedorismo privado. Nós não podemos depender do Estado. O dever dele é garantir regras claras para a sociedade e serviços básicos, como saúde, educação e segurança, e criar um ambiente em que o capital privado do empreendedorismo possa florescer de forma intensa. Precisamos fazer com que a sociedade perceba, trabalhe e entenda o valor do empreendedorismo. Acredito que estamos nesse caminho, não é fácil, precisamos de persistência, precisamos combater as corporações que existem em vários locais, que não são somente no meio público, mas no privado também existe, precisamos ter um país em que todos pensem primeiro no coletivo e sob uma boa liderança (ela precisa inspirar), é papel do político e das lideranças empresariais dar bom exemplo com seu comportamento, não basta só falar, tem que praticar. Se isso acontecer a sociedade assimila. A Findes, por exemplo, tem se reinventado nesse último ano e tem sido cada vez mais presente, atuando de forma positiva na gestão das indústrias.

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