Entrevista com Rodney Miranda, prefeito de Vila Velha

Eleito no final de 2012 para ocupar o cargo de prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda, encarou inúmeros desafios em 2013 para reorganizar a prefeitura municipal e manter a cidade em funcionamento mesmo com as dívidas deixadas pelo seu antecessor.

* Por Yasmin Vilhena

Formado em administração de empresas e em direito, o entrevistado do mês da ES Brasil é delegado federal licenciado, possuindo ainda experiência de gestão obtida na pasta estadual de Segurança Pública. Antes de se tornar prefeito, Rodney Miranda também foi deputado estadual entre 2010 e 2012, ano em que foi eleito com mais de 121 mil votos. Em uma entrevista exclusiva, o atual prefeito de Vila Velha faz um balanço de seu trabalho a frente da prefeitura e destaca as principais conquistas obtidas nas mais diversas áreas tais como educação e segurança.

– Como o senhor avalia a sua administração frente ao município de Vila Velha? Quais foram as principais conquistas do seu governo?

Primeiro, eu gostaria de fazer uma pequena retrospectiva de como nós pegamos a prefeitura que veio totalmente desorganizada e endividada. Só de restos a pagar foram mais de R$ 60 milhões, fora outras dívidas que nós tivemos que suportar. Nós tivemos um trabalho hercúleo para manter a cidade em funcionamento e ao mesmo tempo ir organizando e pagando as dívidas do meu antecessor. Mesmo assim conseguimos avançar bastante.

Na área de educação, por exemplo, nós contratamos mais de 700 professores no ano passado. Das 62 escolas de ensino fundamental, 41 já possuem educação integral com três refeições diárias, lembrando ainda que nós colocamos em todas as escolas um reforço no contra-turno com português e matemática. Já na área de saúde, foram contratados mais de 50 médicos além de enfermeiros, auxiliares de enfermagem, dentre outros. Estamos reformando ainda nossas unidades de saúde e acabamos de entregar uma nova em Jardim Colorado. Esses são apenas alguns dos investimentos.

– O ano passado deixou um rastro de destruição no Espírito Santo por conta das grandes chuvas que assolaram o Estado, deixando inúmeras pessoas desalojadas e desabrigadas. O que vem sendo feito no município para que seja evitado esse problema?

Nós estamos investindo com o apoio do Governo Federal e Estadual mais de R$ 150 milhões em obras de drenagem no município e a meta é chegar a 500 milhões até 2016. Queremos fazer com que a água da chuva vá o mais rápido possível para locais que possam absorvê-la. Estamos no oitavo ciclo de limpeza de 45 km de canais. Essa iniciativa faz parte do Programa Drenar que contempla uma série de ações, como limpeza e desobstrução do canal da Costa e canal do Congo. Vamos fazer também obras no rio Marinho e no canal Guaranhuns, e em toda rede de canais do município. Temos um grande desafio pela frente que é a questão do saneamento, pois é uma vergonha vermos que em pleno século XXI uma das cidades mais antigas do Brasil tenha somente 30% de esgoto tratado.

– Foi apresentado em março o Projeto de Drenagem, Pavimentação e Sinalização junto aos vereadores, moradores e comerciantes da Praia da Costa e Itapoã. Do que se trata essa iniciativa e quando ela começa a ser colocada em prática?

Esse foi um trabalho que eu pré-acordei com o Governo do Estado. São R$ 35 milhões para trocar todo o sistema de drenagem e recapear os bairros da Praia da Costa e Itapoã. Engloba também a questão do calçamento, além de ciclovias e ciclofaixas aonde for possível. O importante é que a população seja beneficiada.

– A longa espera por atendimento e a falta de médicos nos postos de saúde são algumas das principais reclamações do munícipe. Existe de fato essa defasagem? Que ações estão sendo tomadas para a contratação de novos profissionais?

De fato existia essa defasagem. O primeiro diagnóstico que tive da minha equipe em janeiro do ano passado é que nós não tínhamos um sistema de saúde em Vila Velha, tal era a desorganização e a falta de estrutura. Mesmo que esteja longe do ideal está muito melhor do que nós encontramos, pois já fizemos parcerias, além de contratar profissionais e equipamentos. O primeiro ano foi de muito sacrifício, pois nós tivemos que nos organizar muito internamente. Vale a pena destacar que eu estou querendo lançar um planejamento estratégico para os próximos vinte anos. A cidade tem que se apropriar de bons projetos, para que futuros gestores não acabem soterrando conquistas da própria sociedade.

– A cidade de Vila Velha chegou a ser contemplada com o programa Mais Médicos do Governo Federal? 

Chegamos a receber alguns médicos que permanecem no município. O problema que está dando é pontual devido ao custo para a prefeitura, pois nós temos que pagar moradia e alimentação para esses profissionais. Não estou reclamando, afinal, todo profissional que vier para ajudar será muito bem-vindo em nossa cidade.  

– A questão da mobilidade urbana vem sendo muito discutida em todo o país, e no Espírito Santo, não poderia ser diferente. Na região da Grande Vitória, por exemplo, temos a Terceira Ponte que fica muito congestionada durante o horário de pico. Como o senhor pretende melhorar a fluidez no trânsito de Vila Velha, no que diz respeito aos acessos da ponte? 

Nós estamos destravando o município por dentro, pois a cidade de Vila Velha é mal sinalizada e isso precisa melhorar. Estamos colocando binários, tentando reorganizar o trânsito, além de recuperar ciclovias e fazer outras para melhorar a fluidez. A questão da região metropolitana prescinde de uma liderança do Governo do Estado, que vai licitar agora uma via importantíssima para destravar externamente a nossa cidade. O Governo está acabando a leste-oeste e deve entregar a etapa Vila Velha até o final do ano, além de licitar uma outra obra importante que é a ES-388 que vai ligar a BR-101 via Xuri direto para a região 5.

– Com a suspensão do pedágio da Terceira Ponte, o fluxo de veículos aumentou consideravelmente. Como a prefeitura pretende lidar com esse trânsito na região?

Eu não tenho ainda uma opinião formada a respeito dessa fluidez, mas posso dizer quais são as providências que nós estamos tomando aqui. Eu coloquei mais agentes de trânsito nas entradas e saídas da ponte para tentar desamarrar esse aumento de fluxo e não complicar os acessos nos horários de pico. Acredito sim, que com o fim do pedágio, teremos um acréscimo no número de carros, mas nós vamos ter que estudar e acompanhar o impacto dessa questão no município.

– Quais os resultados apresentados com a integração da Guarda Civil Municipal com o 4º Batalhão da Polícia Militar e a Policia Civil (DPJ de Vila Velha)? Pode-se dizer que houve alguma melhora no quesito segurança?

A Guarda vai continuar com as suas funções de trânsito, além de ter um papel importante no enfrentamento ao crime. Posso citar como exemplo, as fiscalizações no município voltadas para estabelecimentos comerciais irregulares e ilegais. Outro exemplo interessante é a feira de Aribiri que tem muita coisa boa, mas que também é usada irregularmente por algumas pessoas; além da questão da fiscalização de motocicletas, que hoje são instrumentos usados para o crime. Tudo isso que está no espectro da prefeitura e que nós vamos tentar fazer com o apoio das polícias (militar e civil) e da guarda.

– Qual a previsão para a implantação da Central de Monitoramento Eletrônico? Como irá funcionar?

Nós vamos entregar agora no primeiro semestre. Ele será um amplo espaço de observação da violência que estará integrado com Ciodes e com as outras agências que trabalham com a questão da segurança publica. Será uma central de monitoramento moderna que irá direcionar os trabalhos da guarda, apoiando ainda o trabalho da polícia civil e militar com informações.

– Vila Velha não é mais conhecida como “cidade dormitório” e tem gerado emprego e oportunidades para seus moradores, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (Caged). A cidade, inclusive, é considerada a 9° do Brasil com melhor qualidade de vida. Quais são os projetos do município para melhorar o ainda mais esse desempenho?

Estamos em uma fase de tentar trazer grandes investimentos, tais como o Superporto. Caso se confirme, ele será um pólo de geração de bons empregos para o nosso município. Nós estamos trabalhando na qualificação dos nossos jovens e adultos para que eles também sejam absorvidos por essas empresas quando esses empregos começarem a chegar. Estamos voltando novamente a ser uma das principais locomotivas do Espírito Santo.

– Vila Velha está recebendo grandes investimentos na área da construção civil e no comércio lojista. E o Comércio Exterior? Como está essa atividade no município?

Temos um trabalho importante na nossa Secretaria de Desenvolvimento Econômico que é voltado para a formação de pequenos exportadores. Estamos trazendo especialistas para que os micro empresários sejam orientados em relação ao que eles precisam fazer para mostrar e levar seus produtos para o exterior.

– A Codesa já entregou o projeto do Porto de Águas Profundas (PAP) em Brasília. O senhor já conversou com o Ministro do Portos sobre o interesse de Vila Velha em receber este importante empreendimento, que tem um investimento previsto de R$ 4 bilhões? O senhor já está preparando alguma estrutura na sua administração para acompanhar e até mesmo lutar pela vinda deste investimento? 

A bancada federal esta trabalhando nisso e alguns parlamentares também têm feito gestão junto ao Governo Federal para que esse anúncio saia o mais rápido possível. É um projeto de longo prazo que vai se consolidar em dez anos, no mínimo, mas que vai atrair uma série de outros investimentos importantes. A maior importância disso tudo é a geração de emprego para os nossos jovens.

– Sobre a corrida eleitoral, como o senhor se posiciona dentro do quadro político atual e quais as expectativas para este ano?

Vejo que existe uma disputa democrática e de ideias. Tenho uma boa relação com o governador Renato Casagrande, mas também tenho uma boa relação com o ex-governador Paulo Hartung, que já me confidenciou algumas vezes que pretende disputar. Acredito que cada um vai mostrar o que fez, assim como a sua trajetória de vida para que a população escolha livremente.

– O ano de 2013 foi marcado por inúmeras manifestações populares, que reivindicaram mais investimentos em educação e saúde. Juntamente com Vitória, o município de Vila Velha também foi alvo dos protestos. O senhor acredita que esta é uma situação que pode vir a acontecer novamente?

Eu acredito que sim, mas vale a pena separarmos a manifestação da baderna. Vamos falar somente das famílias e pessoas sem bandeira e sem cunho político que foram as ruas para reivindicar. As questões não foram respondidas até hoje, nem pela Presidente da República e nem pelo Congresso Nacional. O que nós vimos foram ações pirotécnicas e sem nenhum efeito prático. Certamente essa população se afastou um pouco da rua por conta dos baderneiros, mas eu acredito que no momento adequado eles vão voltar.

– Como a prefeitura pretende lidar com este tipo de “problema”? Já existe algum planejamento para esta possível situação?

Eu vou contar com o apoio do Governo do Estado, além de ter expertise para lidar com esse tipo de situação. Nós tivemos alguns prejuízos, mas não de manifestantes e sim de baderneiros. Esses sim precisam ser punidos. Se você quiser manifestar e expor a sua opinião, tudo bem, mas o que a população precisa entender é o seguinte: o direito de um acaba quando começa o do outro. O comerciante tem direito de manter o seu comércio e os bancos têm direito de manter suas atividades para atender a população.

– O senhor acredita que a realização da Copa do Mundo e das eleições pode vir a atrapalhar os próximos passos da prefeitura?

O quadro está muito indefinido ainda, mas eu acho que isso não deve atrapalhar em relação à prefeitura. Acredito que aqueles que estão concorrendo para cargo eletivo esse ano devem estar preocupados até porque nós não sabemos para que lado vão essa manifestações. O sentimento hoje é de mudança.

 

 

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