Empresas de Alto Crescimento no Brasil (EACs) – 1ª Parte

Entre 2008 e 2016, o número de empresas de alto crescimento caiu 32%.

Para a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), alto desempenho e volume de negócios são os principais indicadores para definir uma empresa empreendedora. Por isso, cunhou o conceito de Empresa de Alto Crescimento (EAC) para identificar o perfil dessas instituições em um país.

Considera uma EAC aquela que iniciou suas atividades com pelo menos 10 empregados assalariados, e seu contingente de pessoal assalariado aumenta, em média, mais de 20% ao ano durante três anos consecutivos.

O panorama de 2016 dessas empresas no Brasil, publicado em outubro pelo IBGE, trouxe mais indicadores desfavoráveis do que favoráveis.

Empresas de Alto Crescimento no Brasil

Desde 2013 – série iniciada em 2008 – o número de EAC vem reduzindo. Entre 2008 e 2016, caiu 32%. E, em 2016, houve outra queda de 18,6% em relação a 2015, o que levou à redução de 23,6% no número de pessoal ocupado assalariado; e de 21,8% nos salários e outras remunerações pagos por essas empresas.

Essa queda de 2016 foi maior que a de 2015 (17,4%); que também reduziu em maior proporção o número de pessoal ocupado assalariado (21,6%) e os salários (12,5%). Em 2016, a quantidade dessas empresas foi a menor da série.

Suas participações relativas no total de empresas caiu 37,5% entre 2008 e 2016. E suas participações relativas dentre as que empregam 10 ou mais pessoas assalariadas caiu 44,6% entre 2008 e 2016. Em 2008, respondiam por 16% dos salários pagos. Em 2016, somente 7,1%.

Empreendedorismo

Adicionalmente, seu fôlego empreendedor é curto, pois suas participações relativas no total de empresas reduz-se à medida que envelhecem.

Isto, por sua vez, explica as taxas de sobrevivências sistematicamente decrescentes, entre 2012 e 2016. Dentre aquelas que foram criadas em 2011, em 2012 suas taxas de sobrevivência foram 75,2%; em 2013, 64,5%; em 2014, 52,5%; em 2015, 45,4%; e 2016, 38%.

O panorama de 2016 dessas empresas no Brasil, publicado em outubro pelo IBGE, trouxe mais indicadores desfavoráveis do que favoráveis.

Por outro lado, as EAC que sobreviveram aumentaram em 176,2% o número de pessoal assalariado. Ratificando um dos perfis empreendedores apontado pela OCDE. Entre 2008 e 2016, mais de 50% das EAC empregavam entre 10 e 49  pessoas.

Assalariado x Sócio

Contudo, se considerarmos o pessoal assalariado, sua participação relativa em termos de geração de emprego caiu. Ou seja, as EACs têm menos assalariados e mais sócios ou proprietários – em 2016, 41% dessas empresas não tinham pessoal assalariado; 47% tinha entre uma e 9 pessoas assalariadas; e 11,6% tinham 10 ou mais.

Assim sendo, no Brasil, elas não geram, proporcionalmente, vagas assalariadas. O comando estratégico dessas empresas fica sob controle de seus proprietários. Funcionários assalariados atuam somente em rotinas operacionais. Isto pode ser identificado por meio do grau de instrução do pessoal – 86% não tem nível superior.

Esse perfil das EACs permitem admitir que o animal spirits do empresário-empreendedor ainda está em fase embrionária, segundo os critérios da OCDE que separa atividade empreendedora de atividade empresarial.

Para ela, as empresas podem ser empreendedoras, mas apenas as pessoas no controle (proprietários ou não) podem ser considerados empreendedores.

O comando das EACs está com seus proprietários. Suas taxas de crescimento são decrescentes e suas participações relativas dentre as empresas estão caindo. Logo, é possível admitir que, no Brasil, o que existe é atividade empresarial, não de empreendedores.


Arilda Teixeira é economista e professora da Fucape


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