Cardozo e Emílio Odebrecht foram ouvidos por Moro

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (foto) e o empresário Emílio Odebrecht, dono do Grupo Odebrecht, chegaram às 9h30 desta segunda (13) em fórum da Justiça Federal em São Paulo para depor como testemunhas de defesa em ações da Lava Jato. Emílio entrou pela garagem do Fórum Criminal e Previdenciário Ministro Jarbas Nobre, nos Jardins, e os jornalistas não tiveram acesso ao local.

Cardozo e Odebrecht foram ouvidos pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato em 1ª instância, por meio de videoconferência. Cardozo depõe como testemunha de defesa do ex-ministro Antonio Palocci, e Emílio Odebrecht (abaixo), como testemunha do filho Marcelo Odebrecht.

Emílio Odebrecht

Além dos dois, outras seis pessoas depõem como testemunhas de defesa nesta segunda em São Paulo. Marcelo Odebrecht é um dos 15 réus em uma ação penal que apura um suposto pagamento de propina do grupo Odebrecht ao ex-ministro Antonio Palocci, em troca de ajuda para que a empresa firmasse um contrato com a Petrobras. O processo é derivado das investigações da 35ª fase da Lava Jato.

O trabalho das oitivas vai durar todo o dia. No período da tarde, outra videoconferência será realizada para ouvir testemunhas que estão no Rio de Janeiro, como o vice-governador do estado, Francisco Dornelles. Apenas uma testemunha, arrolada pelo ex-diretor da Petrobras Renato Duque, será ouvida presencialmente por Moro.

O processo deve seguir na fase de depoimentos de testemunhas até o dia 29 de março. Os réus arrolaram figuras como os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Marta Suplicy (PMDB-SP), Armando Monteiro (PTB-PE) e Jorge Viana (PT-AC), deputados federais e até a ex-presidente Dilma Rousseff.

Entre os dias 31 de março e 19 de abril, Moro ouve os depoimentos dos réus, incluindo depoimentos de Palocci e do assessor dele, Branislav Kontic.

Após o fim dos depoimentos, Moro deve abrir prazo para que sejam feitas novas diligências, se as defesas ou o Ministério Público Federal (MPF) solicitarem. Encerradas as possíveis diligências, as partes começam a apresentar as alegações finais, preparando o processo para a sentença, que poderá condenar ou absolver os réus. Não há prazo para que a sentença seja definida.

STF 

Rodrigo Janot – Procurador geral da República

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá enviar ainda esta semana ao Supremo Tribunal Federal (STF) cerca de 80 pedidos de investigação sobre parlamentares e ministros citados na delação da Odebrecht.

Na semana passada, os procuradores responsáveis pelos processos da Operação Lava Jato fizeram os últimos ajustes nas peças a serem remetidas à Corte.  Ao todo, 77 ex-executivos da empreiteira fecharam acordo de delação premiada e prestaram aproximadamente 950 depoimentos sobre como se dava a relação da empreiteira com o mundo político.

A estimativa é que as delações tenham atingido cerca de 200 políticos, com ou sem mandato – assim, é possível que parte dos novos inquéritos no STF contenha mais de um parlamentar ou ministro.

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