Países contestam eleição de Nicolás Maduro

Foto: Wikicommons

O presidente venezuelano enfrenta rejeição da comunidade internacional, mas centenas de apoiadores dele celebraram a posse. Brasil pede novas eleições

A Venezuela inaugurou, nessa quinta-feira (10), um capítulo novo e imprevisível da crise em que está mergulhada. Mesmo com a rejeição da comunidade internacional, o presidente Nicolás Maduro tomou posse para um segundo mandato.

Centenas de apoiadores de Maduro foram às ruas da capital Caracas celebrar a posse. “Hoje temos mais democracia do que nunca”, disse um venezuelano. Mas também teve críticas. “Não considero que Maduro seja o presidente da Venezuela”, afirmou um engenheiro.

Poucos chefes de Estado acompanharam a cerimônia de posse, entre eles, Evo Morales, da Bolívia; Miguel Díaz-Canel, de Cuba; e Daniel Ortega, da Nicarágua. Maduro vestiu a faixa presidencial. Foi aplaudido, fez o sinal de vitória com os dedos e disse: “Aqui estou, pronto, de pé, para democraticamente assumir as rédeas da nossa pátria”.

CONTESTOS

A oposição política venezuelana e diversos países, entre eles, os Estados Unidos, o Canadá e os membros do Grupo de Lima, do qual o Brasil faz parte, não reconhecem a legitimidade do novo mandato de Maduro. A Organização dos Estados Americanos (OEA) também declarou que não vai reconhecer o governo do socialista.

A maioria dos países latino-americanos, incluindo o Brasil, além de Estados Unidos e nações da União Europeia, não enviaram nenhum representante para a posse. O Paraguai rompeu relações com a Venezuela.

Durante seu discurso de posse, Maduro voltou a acusar os Estados Unidos de tentarem liderar uma guerra mundial contra a Venezuela. E defendeu a legalidade da cerimônia de posse, que foi realizada no Supremo Tribunal de Justiça e não na Assembleia Nacional, como previsto na Constituição.

O Departamento de Estado norte-americano chamou a posse de maduro de “usurpação de poder” e afirmou que é hora da Venezuela começar um processo para restaurar a ordem democrática. A OEA aprovou uma resolução que declara o governo de Nicolás Maduro “ilegítimo” e propõe a realização de novas eleições presidenciais.

O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, reiterou a defesa pela “restauração da democracia” na Venezuela e o não reconhecimento da legitimidade do segundo mandato presidencial de Nicolás Maduro. Em nota, o Itamaraty informou que mantém a confiança na Assembleia Nacional Constituinte e o apelo para novas eleições no país.

“O Brasil confirma seu compromisso de continuar trabalhando para a restauração da democracia e do estado de direito na Venezuela e seguirá coordenando-se com todos os atores comprometidos com a liberdade do povo venezuelano”, diz o documento do Itamaraty.

CRISE POLÍTICA E ECONÔMICA

A crise política da Venezuela vem se agravando desde 2015, quando a oposição obteve uma vitória histórica nas eleições legislativas e assumiu o controle da Assembleia Nacional, que é o Congresso do país.

Em 2017, Maduro anunciou a criação de uma Assembleia Constituinte. A oposição denunciou que era uma manobra do presidente para controlar o Legislativo e governar como um ditador e manteve a Assembleia Nacional funcionando.

A Constituinte antecipou a eleição presidencial para maio de 2018. Só 46% dos eleitores compareceram. Essa eleição para um novo mandato de seis anos não foi acompanhada por observadores internacionais e líderes de oposição foram impedidos de participar.

A crise econômica também é crescente. A inflação passa de um milhão por cento ao ano. Faltam alimentos e remédios e a estimativa é que mais de três milhões de venezuelanos tenham deixado o país.

Poucos chefes de estado acompanharam a cerimônia de posse, entre eles, Evo Morales, da Bolívia; Miguel Díaz-Canel, de Cuba; e Daniel Ortega, da Nicarágua. Maduro vestiu a faixa presidencial. Foi aplaudido, fez o sinal de vitória com os dedos e disse: “Aqui estou, pronto, de pé, para democraticamente assumir as rédeas da nossa pátria”.

 

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