Educação: Como se adaptar ao novo mundo

A Escola Viva é o resultado de um novo conceito de educação no Espírito Santo

A escola deve acompanhar a evolução da tecnologia e adaptar o currículo ao novo tipo de aluno e de sociedade

O mercado de trabalho está em constante transformação. Profissões surgem e outras simplesmente são descartadas. Novas descobertas e tecnologias aparecem, ficam mais baratas e se tornam parte do cotidiano. Vivemos em uma época em que as mudanças parecem ocorrer com velocidade muito superior às das últimas décadas.

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Como, então, preparar as novas gerações para encarar o desafio de sobreviver e poder melhorar esse cenário? A resposta para isso é, certamente, o que a educação poderá proporcionar a elas. Especialistas no assunto, que são referência do segmento no Espírito Santo, concordam que é preciso acompanhar esse movimento e adequar a proposta do ensino às necessidades do mercado e da sociedade. A compreensão geral é de que a forma atual como absorvemos o conhecimento na escola está em xeque e que o ensino deverá estar centrado no aluno e nas suas competências.

“O Brasil começa a caminhar no rumo certo, mas o Espírito Santo já está um pouco à frente do país do ponto de vista da inovação e estruturação da escola em outras bases. Temos uma escola com novo significado e relevância para o jovem” – Haroldo Corrêa Rocha, secretário de Estado da Educação
Novo modelo de educação

Quando se fala em dar um salto para um ensino mais moderno e eficiente, o secretário de Estado da Educação, Haroldo Corrêa Rocha, considera que existem três paradigmas que precisam ser superados. O primeiro deles trata da área curricular e do desenvolvimento de competências cognitivas, que são ler, escrever e realizar as operações matemáticas. “Uma escola do século 21 não pode se ocupar apenas com as competências cognitivas. Ela tem também que se comprometer e se estruturar, em termos de currículo, para desenvolver nas crianças dois outros conjuntos de competências, que são as socioemocionais e as comunicativas”, defende.

Além da questão curricular, o método de ensino também precisa ser revisado. De acordo com o secretário, a escola tradicional segue o modelo da era industrial, que não tem dado mais conta das exigências do período contemporâneo influenciadas pelo uso da tecnologia e da internet.

Ele destaca que mudanças acontecerão no novo modelo, reestruturando a posição dos envolvidos no processo de aprendizagem. Em relação ao modelo de aula, o professor deixa de ser a única figura falante, com uma audiência de alunos, e a turma também ganha voz. “Então, muda o próprio desenho da sala de aula. Em vez de carteiras enfileiradas, mesas-redondas com os alunos conversando sobre o conhecimento e o professor supervisionando o trabalho.”

Por fim, Rocha assinala o uso de tecnologias, internet e dispositivos digitais. “Eles devem ser as ferramentas da busca do conhecimento e, por isso, a escola tem que usar mais a tecnologia. Não é que o material didático impresso vá desaparecer, mas cada vez mais esse conteúdo deve estar em meio digital”, prenuncia.

Fonte: Ifes

Essa nova realidade deve ser enfrentada pelos gestores da educação. Para o reitor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Jadir Pela, ignorar essas transformações não é a opção a ser seguida. “Quando falamos do futuro da educação, existem dois caminhos. O primeiro deles é aceitar a mudança e encará-la com todas as possibilidades que temos. Ou, por outro lado, podemos dizer que tudo vai permanecer da mesma forma e que o futuro não vai interferir nisso. Eu acho que esse é um caminho muito ruim”, afirmou.

Inovação, pesquisa e ensino

Segundo o reitor, o Ifes desenvolve projetos voltados para a inovação. Um deles é a incubadora que já existe há mais de uma década, e a intenção é que seja criada uma rede nos vários campi espalhados pelo Estado.

Alunos têm aulas práticas com robótica em laboratórios de ciência do Sesi – Foto: Divulgação

Alunos têm aulas práticas com robótica em laboratórios de ciência do SesiAlém disso, há três anos o Ifes lançou o Polo de Inovação, que trabalha com investimento de parcerias empresariais. “Apesar de termos percebido a redução dos recursos, existe espaço para as atividades no polo. O Ifes é um dos poucos institutos do Brasil com essa iniciativa e é um dos cinco que tratam de metalurgia e de materiais”, ponderou. O reitor revela que os principais recursos têm vindo especialmente das grandes empresas privadas. “Existe uma carteira de projetos em especial com ArcelorMittal e Vale.”

A parceria com a iniciativa privada, no Polo de Inovação, permite ao instituto realizar pesquisas para atender às demandas surgidas no setor. Além dessa questão, a metodologia de ensino é mencionada como fundamental. Segundo o reitor, equipes do instituto já visitaram países como Finlândia, Canadá e Reino Unido para conhecer métodos mais eficazes de aprendizagem.

Fonte: Findes

“Todo o processo de formação e toda atividade escolar passam pelo protagonismo, agora, do aluno. Dessa forma, algumas disciplinas podem deixar de existir, assim como algumas profissões.” Ele afirma que isso acontece há décadas e, atualmente, pode estar mais frequente. Mas o Ifes está atento às mudanças e estuda constantemente novos caminhos. Importantes exemplos são o fenômeno nascente da indústria 4.0 e o tipo de profissionais de que ela vai precisar. “É o mesmo profissional que se tinha anteriormente, com a mesma formação? Não, porque essa é uma outra perspectiva, um outro formato e um outro jeito de trabalhar essa formação.”

Empreendedorismo

O Sistema Indústria mantém o maior número de escolas e alunos no Estado quando se trata da rede particular. Além da educação básica, cursos profissionalizantes fazem parte da oferta promovida pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes). São mais de 11 mil alunos na educação infantil, nos ensinos fundamental e médio e nos centros de atividades do Serviço Social da Indústria (Sesi). As unidades estão espalhadas por oito municípios. “A palavra forte do nosso projeto é excelência”, garante a diretora de Educação do Sesi-ES, Priscilla Marques Carneiro.

No Senai, os alunos se especializam para iniciar uma carreira profissional – Foto: Rogerio Theodorovy

Segundo ela, a entidade realiza um trabalho de reposicionamento, envolvendo frentes importantes como padronização, modernização, desenvolvimento de pessoas e gestão de processos. Tudo está alinhado a uma agenda para todo o país, através de uma relação direta com os departamentos nacionais do Sesi e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Esse trabalho é fundamental para que a instituição possa acompanhar os processos de transformação pelos quais a indústria também tem passado. No Senai, por exemplo, Priscilla conta que vem trabalhando com o processo de posicionamento e desenvolvimento de competências ocupacionais e com padrão de desempenho definidos.

“O aluno vem da educação básica entendendo quais são os pressupostos e o perfil que a indústria precisa para que, quando ele chegar ao ensino médio, faça dentro da linha de atuação do Sesi e do Senai uma escolha mais acertada nas áreas industriais” – Priscilla Marques Carneiro, diretora de Educação do Sesi-ES

“A partir de um painel de stakeholders, discutimos como está o perfil de uma determinada ocupação, se está atinente a uma determinada área do mercado, se houve incorporação de novas tecnologias, ou se esse perfil precisou ser reposicionado e obedecer a um horizonte de mudanças”, explica ela. Para isso, existe um comitê técnico setorial por segmento que norteia a atuação do Senai.

Já as mudanças no Sesi obedecem às determinações do Ministério da Educação (MEC). No geral, a diretora afirma que o Sistema Indústria se debruça sobre a tarefa de manter atualizados os processos formativos. “Dentro do escopo da educação básica, há todo um trabalho para obedecer às diretrizes curriculares do MEC. Mas temos também um trabalho voltado para a pasta do departamento nacional ligado às práticas com robótica e laboratórios de ciência, por exemplo”, pondera.

Além do investimento em tecnologia, a educação do Sistema Indústria foca inovação. “Temos o empreendedorismo como competência transversal dentro do currículo e uma série de outras atividades voltadas ao desenvolvimento da competência inovativa e empreendedora”, declara. Dessa forma, o aluno pode trilhar o início de uma carreira profissional no Senai, caso tenha interesse, com o perfil adequado àquilo que a indústria precisa. Um exemplo disso é a experiência de 17 anos com o Programa de Educação Básica e Educação Profissional (EBEP). A iniciativa promove um processo de formação articulada em que o aluno fica um turno no Sesi e outro no Senai.

Tempo integral e menor evasão

De olho nas novidades e nas mudanças no ensino, a Secretaria de Estado da Educação tem gerido programas para melhorar o desempenho em sala de aula e o nível de aprendizagem. A rede estadual atende cerca de 260 mil alunos por meio de 500 unidades em todo o território capixaba.

Fonte: Sedu

Mas a “menina dos olhos” é a implementação do programa Escola Viva, lançado em 2015 e que já oferece cerca de 20 mil vagas de tempo integral.

“O papel da escola com a oferta da educação integral é formar o jovem com três características. Primeiro, quer desenvolver a autonomia dos jovens, para que tomem suas próprias decisões e deem rumo à sua vida. Eles também devem ser solidários, sabendo o que é bom também para outras pessoas. Por fim, os jovens devem se sentir parte do mundo e querer participar da solução dos problemas”, apontou o secretário.

Já com o programa Jovem de Futuro, a evasão escolar de alunos do ensino médio nas unidades atendidas pela iniciativa foi reduzida em 90%. Voltado para a educação infantil, é desenvolvido pelo Estado o Pacto pela Aprendizagem, em colaboração com as prefeituras municipais, para transformar as escolas e as práticas pedagógicas.

“Precisamos absorver todas as possibilidades metodológicas, do conhecimento e da tecnologia para que trabalhemos com as perspectiva de formar um profissional adaptado à sua realidade” – Jadir Pela, reitor do Ifes

“A escola tradicional, da era industrial, oferta o mesmo conteúdo, da mesma forma, para todos os alunos. Já a escola de que precisamos hoje deve permitir que eles caminhem de acordo com o próprio interesse”, considera Haroldo.

Ainda não é possível atender a toda a rede estadual com o ensino de tempo integral e outras iniciativas. Mas a modernização da aprendizagem esbarra também em outros desafios, segundo o secretário. Um deles é a necessidade de requalificar os professores para esse outro modelo de escola, com capacitação e formação profissional. Outro seria fazer a comunidade no entorno das unidades compreender o papel decisivo que tem na educação.


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