Educação a distância avança no ensino superior

Pós-graduações tornam-se cada vez mais importantes para se alcançar sucesso no mercado

 

A educação superior no Brasil está em transformação. Um bom exemplo é o avanço da educação a distância (EaD), que há pouco mais de 10 anos ainda enfrentava muita desconfiança em relação à qualidade e agora ganha cada dia mais, seu lugar ao sol. No ano passado, para se ter ideia, quase 1 milhão de pessoas ingressaram nessa modalidade, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). Um número que, de acordo com especialistas, deve crescer bastante nos próximos dois anos.

Há uma expectativa, por parte das instituições de ensino superior, que, no médio prazo, o total de alunos sentados nas cadeiras das faculdades seja semelhante ao dos que estudam de forma remota, por meios virtuais. Na Estácio de Sá, por exemplo, cursos e disciplinas on-line são oferecidos desde 2006. De lá para cá, a evolução do ensino digital foi marcante.

“Não somente as tecnologias de informação e de comunicação foram democratizadas, mas também houve um significativo avanço nas metodologias que dão suporte ao ensino a distância”, destaca o diretor da unidade Estácio de Vitória, Rodrigo Biazon. A procura por cursos nesse sistema tem crescido de forma significativa a cada semestre e, para o diretor, “isso se deve por ser uma forma contemporânea e mais próxima do cotidiano do estudante que procura a faculdade”.

Rodrigo Biazon avalia que a EaD apresenta conveniências que conseguem se sobrepor à distância entre o aluno e a instituição de ensino. “A Estácio ofertará mais de 90 cursos a distância no início de 2019”, assinala.

Disciplina
Educação
“A graduação a distância ainda possui um alto índice de abandono pela falta de comprometimento das pessoas” – Valcemiro Nossa, diretor-presidente da Fucape

Atualmente, o MEC aponta que há quase 800 mil alunos matriculados em cursos regulamentados a distância ou semipresenciais. Para Valcemiro Nossa, diretor-presidente da Fucape Business School, o EaD é um ótimo mecanismo para a acessibilidade da população a diferentes cursos provenientes de qualquer parte do mundo. Mas ele ressalta que é preciso disciplina e organização para que o aprendizado seja efetivo. “Para funcionar, o aluno deve ser bastante disciplinado a ponto de realmente cumprir as exigências do curso e alcançar o aprendizado necessário”, alerta.

Segundo Nossa, quando levado a sério, pode ser realmente um excelente recurso para o aluno se aperfeiçoar. “O ensino a distância tem sido um grande instrumento de aprendizado, pois alia tecnologia e flexibilidade de tempo para quem cursa”, acredita.

Conteúdo on-line

Várias instituições nêm investindo nessa atividade. “A UCL está lançando, neste ano, a modalidade que chamamos de ensino on-line, em que os estudantes farão aulas a distância, conforme o planejamento de cada um, e, aos sábados, irão até a faculdade para avaliações e aulas práticas”, informou o diretor de Marketing da UCL, Sandro Lobato. “Começaremos com as graduações em engenharias de Produção, Civil, Mecânica e Química”, cita.
Lobato afirma que o conteúdo on-line será transmitido por meio da mesma plataforma utilizada pela Universidade de Harvard e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Fontes: Censo de Educação Superior 2016 e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)
Facilidades

Para enfrentar a crise econômica e uma desaceleração registrada nos últimos anos na demanda por ensino superior (veja gráfico), as faculdades oferecem facilidades ao público. Algumas desenvolveram até financiamento próprio. Os alunos que ingressam na Estácio de Sá, por exemplo, podem optar pelo Parcelamento Estácio, que não exige fiador e permite que o matriculado pague metade do valor total do curso enquanto estiver estudando e a outra metade, após a formatura. “O parcelamento se dá de maneira progressiva. O aluno paga 30% do valor das mensalidades nos dois primeiros semestres, 40% no terceiro, 50% no quarto e 60% a partir do quinto”, detalha o diretor da unidade Estácio de Vitória, Rodrigo Biazon.
Na UCL, a faculdade mantém as parcerias com os governos federal e estadual, por meio das quais oferece bolsas de estudo com até 100% de desconto, através dos programas ProUni e Nossa Bolsa, respectivamente. “Também mantemos um programa próprio de bolsas, em que valorizamos quem apresenta bom desempenho no Enem”, comenta Sandro Lobato.

A Universidade Vila Velha (UVV) também dispõe de várias formas de financiamento e conta com algumas oportunidades de bolsas, como a de monitoria de ensino, de iniciação científica, monitoria de extensão e estágio.

Mercado exigente

Diante dos avanços tecnológicos e das transformações sociais constantes, as empresas precisam usar a criatividade para melhorar seus serviços e produtos. Naturalmente, os profissionais também passam a ser mais exigidos, especialmente, no sentido de terem qualificações que agreguem valores à corporação.

Na análise de Valcemiro Nossa, da Fucape, as áreas ligadas à tecnologia da informação e à gestão de negócios serão as mais demandadas com as mudanças globais da economia. “Considerando o nível de complexidade cada vez maior para se lidar com o mercado, especialmente pelo aumento da competitividade e da globalização, acredito que essas duas áreas tendem a ser cada vez mais exigidas.”

O diretor destaca que ganham espaço profissões como analista de mídias digitais e desenvolvedores de aplicativos e operações ligadas a drones e inteligência artificial. Em relação aos negócios, assinala que merecem atenção as áreas de atuação de gestores financeiros, analistas contábeis, analistas de investimentos, analistas de compliance, analistas de dados e informação, gestão de logística, cadeia de valor e controller.

Educação
“O segredo está em buscar cada vez mais. Isso faz com que o aluno desenvolva diferenciais e também estimula o corpo docente a sempre propor novos conhecimentos e experiências” – Sandro Lobato, diretor de Marketing da UCL

Para Sandro Lobato, é fundamental que a formação não se limite às salas de aula. “Buscamos conciliar teoria e prática para aproximar nossos alunos do mercado, tanto levando-os até as empresas quanto trazendo as empresas para dentro da UCL, por meio de parcerias. Nosso corpo docente é formado, majoritariamente, por professores que atuam em grandes empresas, o que nos ajuda a saber o que se espera dos profissionais que formamos.”

Especializações dão peso ao currículo

Além dos cursos de graduação, as especializações passaram a ter papel fundamental na qualificação dos profissionais. O diretor da UVV, Rafael Galvêas, diz que pesquisas apontam que pessoas graduadas ganham de duas a três vezes mais do que os profissionais que têm apenas o ensino médio. Um aumento muito significativo.
“Com pós-graduação, o acréscimo é de pelo cerca de 40% no salário, que também é bastante considerável”, pondera.

Valcemiro Nossa, diretor da Fucape, afirma que os MBAs são interessantes porque procuram dar uma formação mais aplicada do “como fazer” no dia a dia. “O objetivo é atender a uma demanda mais emergente do profissional.” Já os mestrados e doutorados, hoje, seguem duas linhas: acadêmica e profissional. A primeira tem foco no desenvolvimento do aluno na área da pesquisa, mas nem sempre na modalidade aplicada. “A linha acadêmica acaba tendo um enfoque mais para a academia. Mas que, de certa forma, também atende a demandas do mercado profissional pelo alto conhecimento alcançado”, observa.

Com relação aos mestrados e doutorados profissionais, o enfoque é mais voltado para as demandas de mercado. “Procuram desenvolver pesquisas aplicadas, especialmente com o teste de teorias com vistas à solução de problemas que surgem no dia a dia da gestão dos negócios, tanto na área privada quanto pública”, explica Nossa.

Fonte: Associação Brasileira de Educação a Distância e Inep/MEC
Carreira

Atentas às mudanças e demandas do mercado, as instituições de ensino superior adotam, em ritmo intenso, iniciativas que podem contribuir para que seus estudantes deslanchem em suas carreiras.

Na Estácio de Sá, a aposta está num currículo cada vez mais alinhado às novas exigências profissionais. “A faculdade conta com um Portal de Vagas com oportunidades diárias de diversas empresas para todo o Brasil. Além disso, organiza eventos para promover oportunidades aos alunos no mercado de trabalho e manter convênios com diversas instituições, para estágio”, assinala Rodrigo Biazon.

Em outubro, por exemplo, a instituição promoveu o Mês da Carreira na Estácio e disponibilizou no Blog Estácio Carreiras (http://www.estaciocarreiras.com.br/blog) e no canal YouTube palestras gratuitas para estudantes de todo o país sobre emprego, empreendedorismo e novo mercado de trabalho.

Educação
“Os avanços da tecnologia tornam a área de database muito importante” – Rafael Galvêas, diretor da UVV

O empreendedorismo, aliás, é um aspecto que tem ganhado cada vez mais espaço e atenção nas universidades e faculdades do país. Temas como “Negócio de Impacto”, “Design Thinking”, “Como Empreender no Brasil” e “O Novo Poder e o Financiamento Coletivo” foram debatidos por especialistas nos eventos promovidos na Estácio de Sá.

Rafael Galvêas, da UVV, acredita que saber empreender é uma característica importante em qualquer área de atuação. “O aluno precisa desenvolver características empreendedoras, como proatividade e busca pela excelência no que faz, para ter sucesso trabalhando numa empresa ou montando um negócio.”

Virtudes

Não basta fazer uma boa graduação e/ou especialização para estar pronto para o mercado de trabalho. Na avaliação de Galvêas, durante a formação, é essencial que o aluno desenvolva duas habilidades muito preciosas na atualidade: ser um formador de opinião e saber buscar novos conhecimentos diante dos desafios.

“É importante que ele saia da universidade como um formador de opinião, sabendo escutar, entender a teoria e aplicá-la. É fundamental ter senso crítico e, através do discernimento do que é certo e errado, aplicar seu conhecimento. Outro ponto relevante é a pessoa sair da graduação sabendo buscar as informações diante dos desafios no mercado de trabalho”, salienta.

“Em um curso de quatro anos, por exemplo, com o parcelamento progressivo, o estudante terá mais quatro anos para pagar o restante dos valores” – Rodrigo Biazon, diretor da unidade Estácio de Vitória

Ele enfatiza ainda que as relações interpessoais são cada vez mais necessárias no cotidiano. “Trabalhos burocráticos podem ser substituídos por máquinas, mas saber lidar com o ser humano e suas complexidades é uma característica imprescindível. Cada vez mais serão exigidas habilidades humanas, com base na psicologia e sociologia, por exemplo.”

Sandro Lobato, da UCL, aponta a inquietude como outro – que pode ajudar o estudante a ser bem-sucedido em seu campo de atuação. “O segredo está em buscar cada vez mais. Isso faz com que ele desenvolva diferenciais e também estimula o corpo docente a sempre propor novos – e experiências”.

A formação não acaba após a obtenção do diploma de graduação. “Estará sempre à frente o profissional que pensar a formação como algo em constante aprimoramento.
E isso significa fazer pós-graduação e cursos de capacitação, abrindo um leque maior de possibilidades no mercado de trabalho”, conclui.


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