Empresas de Alto Crescimento (ECAs) – 2ª parte

No primeiro artigo, compreendemos o que são EACs. Agora, conheceremos mais detalhes de como elas estão distribuídas pelo país e quais segmentos fazem parte.

Vimos que em 2016, no grupo de Empresas de Alto Crescimento (ECA), houve mais atividade empresarial do que empreendedora – dentre as nascidas em 2011 (Leia o primeiro artigo sobre o assunto). Perfil que pode ser uma proxy dos desafios à renovação da estrutura produtiva do Brasil.

Cabe agora, desmembrar esse grupo por setor de atividade, por região e por unidade da federação para ter a perspectiva da necessária interface entre empreendedorismo e inovação. Ou seja, para a ocorrência da referida destruição criadora que propaga o desenvolvimento – compreender que empreendedorismo e inovação são bens complementares.

O cenário dessas empresas sugere que, no Brasil, essa complementaridade ainda não se consolidou. Ao contrário. Entre 2012 e 2016, a taxas de sobrevivências caíram sistematicamente até chegarem a 38% (em 2012 era 75,2%).

Assim, esse desempenho não pode ser justificado pela recessão de 2015-2016. No máximo, ela acirrou a tendência – já que em 2016 houve uma queda de 18,6% no número dessas empresas e no de sobreviventes.

As taxas de sobrevivências dessas empresas denotam o que se tem de capacidade inovadora, haja vista que seus desempenhos são sinônimos de empreendedorismo.

Comparando 2016 com 2015 em relação às das demais empresas, foi de 85,5% – 9,3% a mais do que foi em 2008, ano em que a série foi iniciada.

As maiores taxas foram no Sul (87,2%) e no Sudeste (85,7%). E as menores, no Norte (81,7%), Nordeste (83,9%) e Centro-Oeste (84,1).

Dentre as Unidades da Federação as maiores foram em Santa Catarina (87,9%), Rio Grande do Sul (87,5%), Paraná e Minas Gerais (ambos 86,5%), Amazonas (79,5%), Amapá (79,6%), Maranhão (80,1%) e Roraima (81,4%).

Contudo, quando separadas por setor de atividade e comparado seu percentual de sobrevivência com o do total de empresas sobreviventes, as estatísticas mudam.

Em 2016, as maiores entradas e saídas foram no Norte, respectivamente, com 18,3% e 19,3%; seguidas de Nordeste (16,1% e 16,7%) e Centro-Oeste (15,9% e 16,4%).

O Sul e Sudeste tiveram as menores taxas de entrada e saída, mas abrigam 72,6% das ECAs – 50,1%, no Sudeste; e 22,5%, no Sul. O restante está no Norte, 3,7%; no Nordeste, 15,4%; e no Centro-Oeste, 8,2%. O Espírito Santo abrigava em 2016, 4% das empresas sobreviventes do Sudeste e 2% das do Brasil.

As taxas de sobrevivências dessas empresas denotam o que se tem de capacidade inovadora, haja vista que seus desempenhos são sinônimos de empreendedorismo.

Como o percentual de sobrevivência está diretamente relacionado ao número de entradas (abertura) e saídas (fechamento ou falência), esses movimentos sinalizam o perfil do desempenho.

Olhando o percentual de sobrevivência por setor de atividade depara-se com 0,7% na Agropecuária; 0,2% na Indústria Extrativa e 9,5% na Indústria de Transformação.

No setor Serviços, apenas Comercialização e Reparo de Veículos e Motos apresentou percentual de sobreviventes com dois dígitos, 44,2%. Os demais ficaram entre 2% e 7%, respectivamente. Nesse sentido, o fôlego dessas empresas é curto, com ou sem recessão.

Tais resultados sugerem que o espírito empreendedor apontado por Schumpeter está presente no ambiente empresarial brasileiro de forma dispersa. Ainda não se consolidou na cultura empresarial. Sobrevivência, abertura e falência de empresas, coeteris paribus, são reflexos da junção entre o saber inovar e o saber empreender. No Brasil, falta fazer a junção.


Arilda Teixeira é economista e professora da Fucape


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