Dia do trabalho: comemoramos ou preocupamos?

Dia do trabalho: comemoramos ou preocupamos?
Arilda Teixeira é Economista e professora da Fucape

No dia do trabalho, o trabalhador  brasileiro tem mais motivos para lamentar do que comemorar

O dia do trabalho é celebrado no mundo todo de uma forma singular: ninguém trabalha.

Por quê? Indiferença ou insatisfação?

No Brasil, insatisfação. Há mais motivos para preocupar do que para celebrar. Por quê?

Porque 13,1% da força de trabalho está desocupada, e o rendimento real médio daqueles que estão trabalhando é  R$2169 – pouco mais de 2 salários mínimos. Mas, 50% recebe até 1 salário mínimo. O número de empregados sem carteira assinada é 1/3 daqueles com carteira, e seu rendimento 40% menor. E o contingente sem carteira assinada aumentou 5,2%, no primeiro trimestre de 2018 em relação ao mesmo período de 2017; enquanto o número de empregados com carteira assinada caiu, nesse período, 1,5%.

Ainda que estejamos saindo de uma recessão, essas estatísticas são reflexos de um sistema de ensino que não tem sido capaz de formar cidadãos com habilidades profissionais. Temos apenas 13,5% dos brasileiros com curso superior concluído; e 26,4% com o ensino médio. E dentre os que concluíram o ensino médio, somente 17% estão alfabetizados em matemática, e 23% alfabetizados em português.

Na sequência, temos a produtividade da mão-de-obra estagnada no nível que era nos anos 1980, e pisos salariais baixos.

Segundo dados da PNAD, no período 2012-2017, o rendimento  médio foi de R$2100.

Esses números preocupam. Tem que ser resolvido o entrave do ensino no Brasil.

Há iniciativas em curso. Mas pra valer, o ensino tem que ser tomado como Política de Estado. E isso ainda não aconteceu. Falta um programa de ensino que esteja direcionado a priorizar, desde a pré-escola, o ensino dos códigos da linguagem – português e matemática.  E, na medida que se avançar no domínio desses códigos, utiliza-los para ensinar/apresentar as áreas de conhecimento existentes.

Por esse caminho, o estudante será capaz de identificar o mundo e escolher por onde quer segui-lo. Terão discernimento para reconhecer seus talentos e vocações.

Para chegar aí, precisamos que o sistema de ensino brasileiro reintroduza o curso de formação para o magistério; que resgate o respeito a esta categoria profissional; e atraia aqueles que têm talento e vocação para ser um educador.

Os pais também precisam assumir o papel que lhes cabe nesse processo – educar. Passar aos filhos as noções de disciplina, respeito, obrigação, direito e hierarquia.

Escola e família são complementares. Sem essa parceria, sempre haverá subemprego e renda baixa – o retrato do mercado de trabalho apontado pela PNAD. O desemprego parou de aumentar, mas ainda é alto.

Como há capacidade ociosa, há espaço para a empresas aumentarem suas produções e gerarem vagas de trabalho. Isso já teria ocorrido se a mão de obra fosse qualificada. Mas o que se vê é o contrário.

É que a recessão fez as empresas se ajustarem e aumentarem suas eficiência, demitir os menos eficientes. Estão mais seletivas na contratação de mão-de-obra porque sabem da sua baixa produtividade.

Para piorar, a tecnologia vem eliminando muitos postos de trabalho e/ou ocupações.

Por isso, no dia do trabalho, o trabalhador  brasileiro tem mais motivos para lamentar do que comemorar.


Arilda Teixeira é Economista e professora da Fucape


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