Crescimento de cooperativas na contramão da crise

Sicoob
Em 2017, o Sicoob inaugurou três agências no Espírito Santo

Com modelo diferenciado de negócios, cooperativas comemoram bons resultados, apesar dos números negativos da economia

Tudo na vida fica mais fácil quando podemos contar com o apoio de quem está ao nosso lado. E o exemplo que vem do setor de cooperativas do Estado confirma essa regra. O modelo organizacional, baseado na união de pessoas visando à prosperidade conjunta, exibe números e exemplos positivos mesmo diante do cenário incerto da economia do país. Os dados da Organização das Cooperativas do Estado do Espírito Santo (OCB-ES) mostram que, frente à crise, a procura pelo cooperativismo só fez aumentar.

O Estado conta hoje com mais de 260 mil cooperados, em 125 cooperativas de nove ramos, que geram mais de 8.000 empregos diretos e movimentam R$ 4,9 bilhões de faturamento ao ano. “Estamos em crescimento contínuo desde a criação da OCB-ES, há 45 anos. Mas, neste momento de crise, como o que estamos vivendo, é que despontamos frente a outros setores da economia”, observa o superintendente do Sistema OCB-ES, Carlos André Santos de Oliveira.

“A carteira de crédito do Sicoob-ES deve fechar o ano próximo de R$ 3,5 milhões. O crescimento de 2% em relação a dezembro de 2016 é significativo, se comparado com o mercado, que apresentou retração na liberação de recursos”.
Nailson Dalla Bernadina, diretor executivo do Sicoob

A perspectiva para 2018 é novamente de crescimento, assim como aconteceu em 2017. Os números de 2016 são uma amostra da saúde do cooperativismo no Estado: em relação ao ano anterior, houve crescimento de 11% no faturamento e de 14% no número de cooperados. O superintendente destaca que o bom desempenho é resultado não só da melhoria da economia, mesmo que tímida, registrada em 2017, mas também do sucesso do modelo de negócios baseado no cooperativismo.

Cooperativas de crédito
Raio-x do cooperativismo no Estado
Fonte: OCB-ES

Com taxas mais atrativas do que aquelas cobradas pelo sistema financeiro tradicional, as cooperativas de crédito estão conseguindo passar ao largo da crise. Ao invés de fechar agências, elas expandiram o serviço, investindo no atendimento cada vez mais próximo do seu público. No Estado, o Sicoob inaugurou três agências em 2017, em Vitória, Muqui e Conceição da Barra, e outras quatro no Rio de Janeiro: em Macaé, Campos e Volta Redonda. De acordo com a OCB-ES, o cooperativismo financeiro é o segundo maior aplicador de recursos no setor agropecuário capixaba.

O diretor executivo da cooperativa, Nailson Dalla Bernadina, estima que a receita de serviços do Sicoob deve atingir o montante de R$ 140 milhões em 2017, um crescimento espantoso de 60% em relação ao ano anterior. A previsão é de chegar a um patrimônio líquido acima de R$ 1,30 bilhão (13% maior do que em 2016) e atingir R$ 3,5 bilhões em depósitos em conta-corrente (crescimento de 20%) e de R$ 560 milhões em poupança (6% a mais). “A carteira de crédito do Sicoob-ES deve fechar o ano próximo de R$ 3,5 milhões. O crescimento de 2% em relação a dezembro de 2016 é significativo, se comparado com o mercado, que apresentou retração na liberação de recursos”, observa o diretor.

Saúde de sobra

Outro setor cooperativista que cresceu mesmo com a crise foi o de saúde. A Unimed Vitória, líder em seu segmento de mercado, registrando mais de 342 mil usuários e 2,5 mil médicos cooperados, continuou investindo na sua rede própria de atendimento, que conta com o Hospital Unimed, Maternidade Unimed Vitória, Pronto-Atendimento, Centro de Especialidades, de Diagnóstico e Oncologia. “Nos últimos anos, apesar da adversidade econômica e do difícil quadro político, a cooperativa se manteve equilibrada e aumentou sua carteira de clientes”, comemora o diretor-presidente da Unimed Vitória, Márcio Almeida.

Box-cooperativismoDificuldades

Mas nem todo caminho foi tranquilo para as cooperativas em 2017. No setor de leite e derivados – em que 46% da produção vêm de cooperativas de laticínios –, a seca afetou a produção, e a crise econômica, por sua vez, o consumo, levando a um cenário pessimista, como explica o presidente da Selita, Rubens Moreira. A cooperativa, com sede em Cachoeiro de Itapemirim, conta com 2.000 cooperados, mas recebe leite de mais de 3.000 propriedades.

“Chegamos ao fim de 2017 sem rentabilidade. Tivemos, nesse período, o pior preço do leite da última década, e o consumo caiu em todo o Brasil”, lamenta, observando que o preço do produto caiu 40% nos últimos três anos. Moreira destaca que em Presidente Kennedy, o maior produtor de leite do Estado, choveu apenas 291 milímetros até outubro, o que onerou o custo da produção.

produção leiteira
46% da produção de leite e derivados vem de cooperativas

Mesmo assim, 2018 será um ano de investimento para a Selita, que dará início às obras de transferência da indústria para uma nova área, em um projeto de mais de R$ 60 milhões. A capacidade de produção passará a 800 mil litros de leite ao dia. Hoje, a média é de pouco mais de 300 mil litros/dia. “Vamos investir na modernização, com novos laboratórios de pesquisa e uma produção sustentável, com reúso da água e tratamento de esgoto”, explica.

No setor habitacional a crise também afetou as cooperativas. O diretor-presidente do Inocoopes, Aristóteles Passos Costa Neto, observa que o ano foi de cautela na construção civil, o que levou a cooperativa a não fazer novos investimentos. “Demos sequência ao empreendimento que já estava em andamento, em Jardim Camburi, com 432 unidades”, conta. Três prédios do condomínio já foram entregues e outras cinco torres serão finalizadas até 2020.

No entanto, o reaquecimento da economia no último trimestre de 2017 leva a cooperativa a planejar investimentos mais robustos para 2018, quando a expectativa é lançar pelo menos mil unidades no mercado. Em 50 anos de atividades, o Inocoopes entregou mais de 45 mil unidades no Estado.


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