Cooperativismo avança na contramão da crise!

Enio Bergoli é engenheiro agrônomo, coordenador de Política Agrícola da SEEA (Sociedade Espírito-Santense de Engenheiros Agrônomos), ex-secretário de Agricultura do Espírito Santo

Em 2016, serão R$ 4,8 bilhões de oferta de crédito e R$ 100 milhões de investimento interno das cooperativas. Até a década de 1990, as discussões sobre o cooperativismo no Brasil centravam-se principalmente em negócios do ramo agropecuário, pelo fato de representarem, em muitas regiões, uma das poucas possibilidades de agregação de valor à produção rural, além da inserção no mercado de pequenos e médios agricultores.

Atualmente o cooperativismo avança pelo mundo e pelo país, tanto nas discussões quanto nas ações, por meio de organizações agrícolas, de crédito, de consumo, de produção, de transporte, médicas, educacionais, de trabalho e outras que, apesar de suas particularidades, encontram-se sob uma doutrina baseada em valores de ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade.

Aqui no Espírito Santo, esse movimento vivencia, nos últimos anos, uma recuperação de imagem e de resultados efetivos, que foi construída com muito trabalho, dedicação e intercolaboração por mais de 130 cooperativas, quase 8 mil funcionários diretos e cerca de 240 mil cooperados.

Os números do setor relacionados à socioeconomia capixaba são impressionantes. São nove cooperativas entre as 20 empresas com maior rentabilidade de vendas, 75% do atendimento de urgência e emergência na área da saúde, além de segundo maior aplicador de recursos de crédito, só para citar alguns exemplos.

Em 2015, o cooperativismo do Espírito Santo faturou R$ 4,4 bilhões, um crescimento nominal de 63% em apenas quatro anos. Nesse mesmo período, o patrimônio líquido das cooperativas capixabas mais do que dobrou, saindo de R$ 784 milhões para quase R$ 1,7 bilhão.
Neste ano de 2016, o segmento vai na contramão da crise. Serão R$ 100 milhões de investimentos na infraestrutura interna das cooperativas e R$ 4,8 bilhões de crédito e financiamentos disponibilizados para todos os setores da economia, onde o Sicoob-ES tem relevante papel.

No campo social, a área cooperativa tem como meta até o fim deste ano entregar 234 habitações e realizar o transporte diário de 71 mil alunos, o que equivale a 75% de toda a rede pública estadual. São pelo menos 26 mil propriedades rurais capixabas que se vinculam diretamente ao movimento para garantir a comercialização de produtos agropecuários, a agroindustrialização e a assistência técnica aos agricultores.

Há uma correlação histórica positiva entre cooperativismo e tempos de crise, quando se aguçam os sentimentos de colaboração e solidariedade humana. Em decorrência, as pessoas se unem para ajudar umas as outras, visando à solução de problemas comuns. Portanto, ao avançar na contramão da crise, o cooperativismo confirma sua história e trajetória, destacando-se cada vez mais como uma opção e uma solução para o crescimento da economia em tempos difíceis. Afinal, solidariedade e cooperação são conceitos inseparáveis que devem ser cultivados em todas as épocas, em especial naquelas de crise.

Enio Bergoli é Diretor Geral do DER/ES e Coordenador de Política Agrícola da Sociedade Espírito-Santense de Engenheiros Agrônomos (SEEA)

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