Contrastes na Conjuntura

Enquanto a economia brasileira ensaia uma recuperação, no Espírito Santo os índices apontam quedas na indústria, no varejo e o comércio exterior

No primeiro trimestre de 2013 há mudanças de direção na economia e discrepâncias entre o desempenho brasileiro e capixaba. No Brasil, houve troca de sinais: A indústria ensaia recuperação com alta de 0,8% ante o 4º trimestre de 2012, após ajuste de sazonalidade, e o varejo mostra claros sinais de perda de dinamismo, com estabilidade de vendas até fevereiro. O aumento e a disseminação da inflação contiveram o crescimento real da massa de salários e as expectativas dos consumidores que, endividados, retraíram suas bases de consumo. Mas o mercado de trabalho mantém-se com baixo desemprego e o mercado de crédito mostra expansão moderada.

A indústria, por seu turno, mais protegida pelo câmbio e por vários outros incentivos do governo federal, iniciou reação ainda pouco clara em intensidade. No desempenho positivo do primeiro trimestre ficou evidente a recuperação de bens de capital e a queda nos bens de consumo. Há também indícios de recuperação dos investimentos no primeiro trimestre, com as estimativas ultrapassando alta de 5%, algo que se tornará mais moderado até o final do ano. Do lado da construção civil os dados são negativos no setor habitacional.

O que surpreendeu foi a rápida deterioração da balança comercial. O saldo acumulado em doze meses recuou de US$ 30 bilhões em março de 2012 para US$12 bilhões em março de 2013, resultado de queda mais acentuada nas exportações (-8,3%) do que nas importações (-1,9%). O déficit em transações correntes caminha para 2,8% do PIB, ainda coberto pela entrada de Investimentos estrangeiros, da mesma ordem.

Desta vez, o cenário global não deveria ser culpado pela piora do comércio exterior. A expectativa é de baixo crescimento por período prolongado nas economias mais avançadas, mas o ambiente é de menor aversão ao risco. Os sinais são de recuperação nos EUA, mesmo após o sequestro fiscal. Na Europa, mesmo com a turbulência financeira na pequena Ilha de Chipre, o clima geral é de normalidade. A China sustenta crescimento acima de 7%, com algum ânimo trazido para todo o sudeste asiático pelo programa de expansão monetária do Japão. No mercado de commodities houve recuo de 5% nas metálicas, compensado em parte pela alta de 1% nos alimentos. Ocorre que mesmo com a supersafra de grãos, o Brasil não conseguiu exportar o contratado devido a problemas logísticos. Assim, o País segue perdendo competitividade.

Se o Brasil ensaia alguma recuperação interna, a economia do Espírito Santo segue se retraindo. No trimestre encerrado em fevereiro, a Indústria apresentou queda de -3,6%, e o varejo, declínio de -1,6%. Há queda acentuada em materiais de construção e recuo de -23% nas importações e de -17% das exportações, na comparação com o trimestre anterior. A arrecadação do ICMS segue em queda real de -4,2% de janeiro a março ante o mesmo trimestre do ano anterior. Pesou sobre o estado, neste início de ano, os efeitos da redução do FUNDAP.

As recentes disputas federativas e a superexposição do estado à economia internacional podem ser causas do descolamento entre a economia brasileira (recuperação) e a capixaba (contração). Mas isso parece ser apenas o mais evidente. Com efeito, um tema que precisa ser investigado.

Ana Paula Vescovi é economista, assessora no Senado Federal e vice-presidente do Ibef-ES

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