Tijolo por tijolo, construção e venda de imóveis se recuperam

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Redução na taxa básica de juros facilita financiamentos, e setor espera crescimento em 2018

Como aconteceu com praticamente todos os setores da economia brasileira, a construção civil e o mercado imobiliário sofreram bastante com a crise que atingiu o país a partir de 2014. Agora, com 2017 chegando ao fim e a economia melhorando perceptivelmente, as previsões para esses segmentos começam a ganhar tons mais otimistas.
O crescimento ainda não veio de forma significativa, pelo contrário. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, o Produto Interno Bruto da construção civil deverá fechar 2017 com queda de -3,5% em comparação a 2016, o que significa o quarto ano seguido de retração do setor, que já acumula -16,3% de queda desde 2014.

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Para Paulo Baraona, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES), o ano foi difícil, como já havia sido 2016. “Nosso produto tem valor agregado muito alto. A pessoa geralmente faz financiamentos de médio e longo prazo. Por isso é preciso que tenha segurança em seu emprego, em seu negócio, enfim, na situação do país”, afirma.
O dirigente ressalta a importância do poder público para o setor e lembra que, com menos recursos para se investir, a tendência é que as obras envolvendo o governo diminuam nos próximos anos. A “salvação” continua sendo o programa Minha Casa Minha Vida, que em 2017 ofereceu 15 mil imóveis no Espírito Santo. Para o ano que vem, a expectativa é que sejam oferecidos cerca de 12 mil imóveis com descontos, o que deve ajudar a aquecer o segmento.

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A queda da inflação e a redução da taxa básica de juros trouxeram consigo um alento em forma de melhores condições de financiamento e, consequentemente, de aumento de vendas, locações e construções de novos empreendimentos em 2018. Segundo o Censo Imobiliário produzido anualmente pelo Sinduscon-ES, há previsão de fechar 2017 com 15 mil unidades em obras no Estado – 4 mil a mais do que em 2016.

A previsão do Censo Imobiliário, produzido anualmente pelo Sinduscon-ES, é fechar 2017 com 15 mil unidades em obras no Estado – 4 mil a mais do que em 2016

Para José Luis Galvêas, presidente da Galwan Construtora e Incorporadora, por exemplo, o ano de 2017, para o setor, nem de perto se assemelha aos melhores momentos do ramo imobiliário. Entretanto, já é possível dizer que foi o ano da virada para o segmento. “Neste segundo semestre nós começamos a nos recuperar das quedas sucessivas que tivemos nos últimos anos. Já pudemos recuperar mais de 100 postos de trabalho, o que é significativo, embora tenhamos perdido bem mais. Também terminamos o ano com dois empreendimentos prontos e outros dois grandes que já começaram”, afirma Galvêas.

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Fonte: Sinduscon-ES

O otimismo é compartilhado pelo presidente da Morar Construtora, Rodrigo Almeida. Segundo ele, o que se vê no mercado é o início de uma recuperação nas vendas de imóveis no Espírito Santo. “Teremos um aumento de 20% em comparação a 2016. Ainda estamos 20% a menos do que estávamos em 2015, mas acredito que estamos prontos para ter uma retomada do crescimento a partir dos próximos anos”, avalia.

mercado imobiliárioPara o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Sandro Carlesco, a procura por lançamentos e construções tem de fato aumentado, principalmente até o mês de novembro. “Ainda não temos pesquisas feitas, mas é possível perceber uma alteração positiva na curva do gráfico”, diz ele.
Mas, antes de realmente experimentar um novo ciclo de crescimento, o setor ainda vive a expectativa de quedas mais significativas nos juros praticados. As reduções consecutivas da taxa Selic puxaram para baixo as taxas praticadas pelos principais bancos do mercado – segundo dados do Banco Central, a taxa média do ano para o financiamento imobiliário caiu de 10,9% no fim de 2016 passado para 9,2 em setembro de 2017, com a possibilidade de cair ainda mais. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, mostrou crescimento de 7% na carteira de crédito habitacional em comparação a 2016.

Segundo as previsões do presidente da Ademi-ES, a tendência é que isso aconteça nos próximos meses. Com a Selic a 7%, os bancos provavelmente acompanharão essa redução no ano que vem. Essa movimentação deve ser ainda maior com os particulares, para que possam se manter competitivos no mercado.

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Fonte: Sinduscon-ES

Para o presidente da VTO Polos Empresariais, Alexandre Schubert, este ano foi tão desafiador quanto os anteriores. Ele afirma que os negócios até o primeiro semestre caíram por volta de 30% em comparação a 2016. “Nesses cenários de crise, os investimentos empresariais tendem a se retrair de forma mais brusca, já que o empresário fica mais cauteloso em buscar novas alternativas”, explica Schubert.

 


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