Confiança dos empresários capixabas na economia nacional cai

Clima de desconfiança, que marcou primeiro semestre dos setores da indústria e comércio, deve ser substituído pela cautela no 2º semestre de 2014

O baixo crescimento da economia nacional com queda no desempenho da indústria e das vendas no varejo, causado principalmente pela  manutenção dos altos níveis inflacionários, juros elevados, crédito mais caro e o endividamento das famílias, está refletindo de modo negativo no clima de confiança dos empresários, tanto da indústria como do comércio capixabas,.

Para a indústria, o Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (Ideies) levanta, mensalmente, o Índice de Confiança do Empresário Industrial do Espírito Santo (ICEI) que é um indicador antecedente utilizado para identificar mudança de tendência na produção industrial capixaba, ou seja, para auxiliar na previsão do produto industrial e, portanto, do PIB estadual. Empresários confiantes tendem a aumentar o investimento e a produção para atender o esperado crescimento da demanda, o que não acontece em clima de desconfiança sobre o desenvolvimento da economia como um todo.

O ICEI do mês de maio atingiu 48,9 pontos (abaixo de 50 pontos significa falta de confiança no crescimento da economia tanto em termos atuais como para os próximos seis meses). Foi o menor nível desde o início de 2010, com a média histórica desse período atingindo 58,6 pontos. Na comparação com maio de 2013, cujo indicador era de 54,2 pontos, o ICEI mostrou uma queda de 5,3 pontos

O ICEI de maio mostra que a falta de confiança do empresário disseminou-se pela indústria. Industriais de empresas de todos os portes pesquisados (pequenas, médias e grandes empresas) e de todos os segmentos industriais considerados (extrativa, transformação e construção) registraram índices inferiores a 50 pontos.

No caso do comércio, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), também mostrou que os empresários estão menos confiantes no mês de abril, quando atingiu 103,2  pontos, próximo da linha divisória de 100 pontos entre o otimismo (acima de 100) e o pessimismo (abaixo de 100). No mesmo mês do ano passado estava em 120,8 pontos, uma diferença de menos 17,2%.

Com a aproximação dos jogos da Copa do Mundo, quando é esperada a diminuição dos dias úteis, o que deve afetar a produção industrial e postergar as compras, o crescimento da economia no primeiro semestre de 2014 deverá ficar abaixo do mesmo período em 2013.

Nossa expectativa para o segundo semestre é de cautela, pois até lá acabou a Copa, mas terá início o processo eleitoral, onde as expectativas dos empresários deverão ser a de verificar quais as propostas apresentadas pelos vários candidatos à presidência da república e ao governo do estado em seus respectivos programas de governo, cujos reflexos  na economia serão sentidos a partir do próximo ano.

Doria Porto, é engenheiro metalurgista com mestrado em engenharia da produção e em administração

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