Como vender o Espírito Santo!

Sempre que assisto a palestras como a de Marcos Troyjo, recentemente em Vitória, trazido pela Vieira & Rosenberg, encho minha cabeça de idéias… Desta vez, foi ao citar a agressividade da China em vendas no mundo inteiro. Em sua brilhante análise da estratégia nacional daquele país, Marcos, especialista em BRICS, professor da Columbia University e da Sorbonne, destaca o esforço de vendas e a técnica promocional universal da China como um dos fatores decisivos de seu sucesso. Também observei lá esta estratégia, conversando com empresários, professores, diplomatas brasileiros, e cheguei mais uma vez à conclusão de que é isso mesmo…

Aí pensei: e nós, o que fazemos para vender o nosso Estado lá fora? Em São Paulo, por exemplo, hoje com quase cinquenta por cento da economia brasileira? Em outros estados fortes, como Rio de janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais etc.? E no exterior?
Vender o quê? Simples: turismo e investimentos. Só isto poderia mudar nossos destinos… Vindo de São Paulo, venho fazendo isso há dezessete anos e sinto falta de um apoio governamental sustentável.
Estamos entre os poucos estados brasileiros que não possuem uma representação formal em São Paulo. Minas, por exemplo, tem a belíssima “Casa de Minas”, numa mansão no nobre bairro de Higienópolis, onde até um restaurante permanente de comida mineira faz sucesso, com apresentações, seminários, encontros com empresários não só de São Paulo, mas de todo o Brasil.
Se abrirmos os suplementos turísticos dos grandes jornais de todo o Brasil, veremos “pacotes” para diversos destinos, mas ainda pouco para o Espírito Santo. Visite uma agência de turismo em São Paulo e tente comprar uma viagem para nosso Estado… procure um “resort” , uma boa pousada nas praias maravilhosas do Espírito Santo…Quais dos nossos grandes líderes estão presentes no noticiário nacional, ou mesmo na cabeça da elite política ou universitária do país? Quais dos nossos líderes empresariais se destacam nas entidades representativas nacionais?
Bem, sejamos práticos, quais as soluções?
Em primeiro lugar, deixar a campanha de propaganda para mais tarde … Para fazer o “P” de promoção do marketing, faltam os outros três: produto, preço e praça (distribuição)… Seria como a Unilever lançar uma campanha de propaganda de um detergente sem tê-lo na gôndola do supermercado…
Em segundo lugar: produto. Resorts, pousadas, transporte organizado, ou seja, o receptivo em geral. Treinar os motoristas de táxi do aeroporto ( precisa falar?), equipes de hotéis, bares e restaurantes etc. E educar o comerciante capixaba a trabalhar nos feriados e domingos… Aí tem produto. E preço também. Praça (distribuição)? Também está neste pacote, se tivermos um programa constante de negociação com as operadoras.
Ah! Em tempo: não é só turismo o que precisamos. Investimentos também. O processo de venda é parecido. Um bom escritório em São Paulo. Um plano de trabalho operacional de atração de investidores. Público alvo: bancos de investimentos, grandes empresas, definição de setores e arranjos produtivos prioritários. Que não seja um desses planos caríssimos que não se realizam.
Um velho aforismo de Marketing aplica-se, enfim, ao Espírito Santo hoje . Quem vende, vende; quem não vende, deixa de vender. Ponto.

Ronald Z. Carvalho é professor convidado da Fundação Dom Cabral e palestrante

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