Relações nacionais e internacionais em crescimento

O comércio exterior é um dos setores mais fortes da economia capixaba e registra avanço ano a ano

Apesar da crise econômica enfrentada pelo país, o comércio exterior avança gradativamente

Uma das mais importantes diretrizes da economia capixaba, o comércio exterior fecha 2018 com ligeira melhora em relação a 2017, tanto nas importações quanto nas exportações. “Estou otimista que, passado esse turbilhão de dúvidas quanto ao futuro do Brasil, teremos um 2019 melhor. Entretanto, é importante ter uma visão cautelosa, pois vai demorar algum tempo para que haja um retorno da credibilidade nas instituições que quase foram destruídas nos últimos 13 anos”, disse o presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo (Sindiex), Marcilio Rodrigues Machado.

Vale destacar que tanto as importações como as exportações brasileiras, de janeiro a novembro de 2018, ultrapassaram o acumulado de todo o ano passado. No caso do Espírito Santo, nesse período, as compras desembarcadas vindas do exterior mantiveram o crescimento apresentado ao longo do ano, registrando 11,78% de alta em relação a igual período de 2017. Os principais produtos que contribuíram para o salto foram automóveis e aeronaves.

Nas exportações, o desempenho também foi bem positivo em novembro. As áreas de óleos brutos de petróleo, pastas químicas de madeira e soja expandiram-se 49%, 34% e 28%, respectivamente. As vendas capixabas para o mercado externo mantiveram a retomada ao longo de 2018, com incremento de 9,13% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os principais produtos que impulsionaram o avanço foram o minério de ferro e seus concentrados e os produtos semimanufaturados, de outras ligas de aço.

Novo governo

O presidente do Sindiex também afirmou que as necessidades fundamentais para incrementar as atividades de comércio exterior são menos burocracia e menos intervenção do Estado nas atividades econômicas. “Espero que o novo presidente não aceite indicações políticas para os órgãos intervenientes de comércio exterior nem para as agências reguladoras. No caso das agências reguladoras, há que se pensar no papel e na relevância de cada uma delas. Eu sei que esse é um trabalho difícil, mas tem que ser feito, pois a sociedade está cansada desta troca de favores muitas vezes definida para compensar políticos que perderam as eleições e acabam sendo presenteados com cargos no Executivo”, pontuou Machado.

O economista e professor da Universidade de Vila Velha (UVV) Mário Vasconcelos avalia os resultados. “Em termos de Brasil, a balança comercial do Espírito Santo é mais favorável como um todo. Digo que o Espírito Santo é o Estado mais globalizado, por ter a maior inserção comercial, guardadas as devidas proporções”, disse.

Em pronunciamento, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) garantiu a criação um superministério da Economia, no qual fundirá pastas como Planejamento, Fazenda e Comércio Exterior, a fim de reduzir custos.

Fonte: Comexstat/MDIC

Na avaliação de Vasconcelos, a proposta é positiva. Entretanto, faz-se necessário ter bastante cautela. “O Ministério do Planejamento é quem formula toda a parte de orçamento, política e econômica. Já o Ministério da Fazenda é quem executa essa política. A minha única preocupação é juntar essas duas partes. Normalmente se separam as questões, mas é algo que precisa ser bem definido para não haver problemas futuros. Acho importante a fusão, pois o comércio exterior tem muito a ver com a economia, mas não adianta reduzir ministérios e continuar com a mesma estrutura pesada, senão não resolve nada”, ponderou o economista.

Ele concluiu afirmando que “um ponto muito importante a ser apontado é que Bolsonaro tem como uma das prioridades restabelecer relações internacionais mais prósperas com países maiores que figuram como grandes parceiros, como os Estados Unidos, com o qual estava com as relações estremecidas por conta da tarifa imposta sobre a exportação do aço, assim como com a China. Já é um grande passo”.

Fundap

O Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap) surgiu na década de 1970 e tem passado por várias alterações para se adaptar às novas regras do comércio exterior. Segundo Marcílio Machado, o grande problema está na precária infraestrutura portuária, cuja demanda requer investimentos que possibilitem o recebimento de navios maiores nos portos.

Fonte: Comexstat/MDIC

“Há cerca de 19 novos projetos de portos no litoral do Estado que ainda não se tornaram realidade. Existe consenso no setor de exportação que se deva focar um único porto e trabalhar para que o projeto seja executado de modo que não continuemos a perder carga para outros portos brasileiros. Contudo, não estou afirmando que os outros projetos devam ser abandonados, mas que se priorize pelo menos um porto para que no curto prazo possamos reter as cargas que se destinam ao Espírito Santo. Se aguardamos por mais 10 ou 15 anos para termos um porto de águas profundas, existe grande risco de perdermos volumes de cargas direcionadas para o Estado”, complementou o presidente do Sindiex.

Fonte: Comexstat/MDIC

“A perda do Fundap é muito ruim para o Espírito Santo, o pior é que não foi encontrada outra alternativa que o compense. Acredito que investir na parte de infraestrutura portuária com custo mais reduzido poderia ter sido uma solução”, finalizou o economista Mário Vasconcelos.

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