Tragédia em Linhares: Sesp elucida caso dos irmãos mortos em abril

Foto: Fred Loureiro/Secom

De acordo com as investigações, George Alves matou o filho, de 6 anos, e o enteado, de 3, na casa da família

A equipe da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) concluiu as investigações do caso dos irmãos Kauã, de 6 anos, e Joaquim, de 3. Os dois foram mortos na madrugada do dia 21 de abril, na casa da família, em Linhares.

Uma coletiva de imprensa foi realizada nesta quarta-feira (23) e comandada pelo secretário de Segurança Pública, Nylton Rodrigues. A equipe de delegados, peritos e bombeiros esclareceu como ocorreu o crime, considerado homicídio doloso, além de darem detalhes das investigações.

“É um caso estarrecedor pela monstruosidade e crueldade com que foi cometido. As investigações e os resultados são esclarecedores e inegáveis. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público (MP) e ao Poder Judiciário para que a Justiça seja aplicada”, disse o secretário Nylton Rodrigues.

“É uma cena de crime complexa e, por isso, exigiu tantas perícias e uma investigação tão profunda”, declarou o delegado e chefe da 16ª delegacia regional de Linhares, André Jaretta Ardison.

“A versão apresentada pelo acusado tinha inúmeras incongruências. Laudos periciais também eram incompatíveis com o que ele vinha alegando à polícia. As lesões apresentadas pelo investigado também eram incompatíveis com o laudo da perícia apresentado. Esses fatores passaram a sugerir que era um incêndio criminoso. Por isso, a polícia viu como necessária uma força-tarefa entre a polícia de Linhares para chegarmos ao real motivo do incêndio”, disse o delegado.

As crianças Kauã e Joaquim, mortos em casa, em Linhares / Foto: Reprodução / Facebook

De acordo com as investigações, as crianças foram abusadas sexualmente pelo pastor. Com propósito de ocultar a cena, George praticou violência, espancando as crianças. O sangue encontrado no box do banheiro era de Joaquim. Após a agressão, o pastou colocou-as desacordadas na cama, e usando um líquido inflamável ateou fogo no quarto, fazendo com que as crianças fossem mortas por causa das chamas e não por causa da fumaça.

O perito criminal da Polícia Civil, Fabricio Pelição, disse que foi confirmado, por meio das análises laboratoriais, que foi utilizado combustível para acelerar o processo do alastramento do fogo no local.

Já o perito de incêndio do corpo de Bombeiros, tenente-coronel Ferrari, as crianças morreram muito rápido, o que levou o nível da carboxihemoglobina subir o suficiente no sangue delas. “Foi detectado que havia sinais de fuligem nas traqueias das crianças, o que prova que elas ainda estavam vivas e que elas morreram ao respirar a fumaça, chegando a carbonização”, contou.

Sobre o envolvimento da esposa do acusado, Juliana Salles, o delegado André Jaretta disse que não há indícios de que houve participação ou conveniência dela. Segundo ele, Juliana não tem conhecimento do caso, e nem foi ouvida sobre o assunto. Ele ressaltou que George estava sozinho em casa na hora do crime e não há previsões de novas prisões.

A delegada de Crimes contra Crianças e Adolescentes, Suzana Garcia, afirmou que o acusado “é uma pessoa com distanciamento emocional e com ausência de vínculo afetivo com a família, mas o investigado se sobressai a esse perfil. A crueldade dos atos em si faz-se perceber a continuação do distanciamento emocional, usando da frieza. Ele usava da fé para se esconder desse perfil”.

O delegado André Luiz Costa disse que pela perspectiva da Polícia Civil não há informações de que o corpo da outra criança, a filha morta anteriormente, será exumado a fim de encontrar respostas para elucidar este caso ou provar que a morte dela foi provocada pelo acusado.

Durante a coletiva, foi informado que, se for condenado, o pastor pode pegar pena de 126 anos pelos crimes de duplo homicídio qualificado e duplo estupro de vulnerável.

Entenda o caso

Os irmãos Joaquim Alves Sales, de 3 anos, e Kauã Sales Burkovsky, de 6 anos, morreram no dia 21 de abril. Os corpos das crianças foram encontrados carbonizados, dentro de um quarto da residência onde moravam, em Linhares.

Georgeval Alves Gonçalves, 36 anos, mais conhecido como George, era o único que estava em casa com os irmãos. O pastor alegou que acordou com o choro pela babá eletrônica e percebeu que o quarto dos meninos estava em chamas.

No mesmo momento, ele afirmou que foi até o cômodo e tentou salvá-las, mas acabou queimando também os pés e foi empurrado para fora pela força do fogo. No dia 28 de abril, ele foi preso em hotel do município, e encaminhado ao presídio de Viana e não foi ouvido mais depois disso.

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