Carnaval também é sinônimo de festa na economia

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O desfile das escolas de samba da Grande Vitória empregam cerca de dois mil profissionais - Foto: Diego Alves

O desfile das escolas de samba em Vitória atrai turistas, gera renda e movimenta o comércio local

*Cintia Bento

Como bem cantou Dorival Caymmi: “Quem não gosta de samba bom sujeito não é”. Além de espalhar alegria de norte a sul do país, o mais brasileiro dos ritmos também faz bem ao bolso, movimentando o turismo e gerando renda. E o Carnaval de Vitória não foge à regra, evoluindo bonito no quesito economia.

Um levantamento feito pelo Observatório de Turismo de Vitória, órgão da Secretaria Municipal de Turismo, Trabalho e Renda, mostra que o evento movimentou, no ano passado, R$ 13 milhões. Um dos maiores reflexos desse fluxo turístico se deu na rede hoteleira da capital, que registrou uma ocupação de 61,5%, nos dois dias de desfiles.

“O Carnaval de Vitória se profissionaliza cada vez mais e tem se tornado um produto turístico já consolidado. O desfile das escolas de samba já é um dos três melhores do Brasil”, observa Leonardo Krohling, presidente da Companhia de Desenvolvimento, Inovação e Turismo de Vitória. Ele ressalta que a administração municipal tem trabalhado para fazer com que os desfiles avancem a cada ano, promovendo cursos de qualificação para os integrantes das agremiações no próprio Sambão do Povo, em Santo Antônio. “O objetivo é impulsionar a indústria criativa e a economia desse setor, gerando emprego e renda”, diz Krohling.

“O Carnaval de Vitória se profissionaliza cada vez mais e tem se tornado um produto turístico já consolidado. O desfile das escolas de samba já é um dos três melhores do Brasil”
Leonardo Krohling, presidente da Companhia de Desenvolvimento, Inovação e Turismo de Vitória

Em 2017, a estimativa é que 60 mil pessoas tenham circulado pelo evento, sendo que mais de 17 mil desfilaram em alguma agremiação. Para a realização da festa, a Prefeitura de Vitória mantém parceria com as ligas que representam as escolas, para a gestão compartilhada. As entidades que representam as agremiações são responsáveis pela organização do evento, promovendo, além da venda dos ingressos, a captação de recursos e os desfiles. Já a administração municipal atua no repasse de verbas às nove agremiações da capital – Chegou o que Faltava, Imperatriz do Forte, Andaraí, Novo Império, Unidos de Barreiros, Unidos de Jucutuquara, Pega no Samba, Chega Mais e Unidos de Piedade – e na operacionalização da parte logística (interdição de trânsito, oferta de ônibus e táxis e atuação da Guarda Municipal).

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Empregos e economia informal

Rogério Sarmento, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesge), observa que muita gente, hoje, vive do carnaval: os barracões das 14 escolas de samba que participam do evento – que neste ano acontecerá nos dias 2 e 3 de fevereiro – empregam mais de 2 mil pessoas, empenhadas em fazer do desfile um espetáculo para turista nenhum botar defeito.

Só durante os dois dias de desfile são pelo menos 400 pessoas trabalhando a cada noite, nas bilheterias, camarotes e arquibancadas. “Isso sem contar os empregos indiretos e a economia informal, como vendedores de bebida e comida. O carnaval faz a economia girar”, comemora Sarmento.

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A Mocidade Unida da Glória (MUG) profissionalizou seu barracão e oferece programação durante todo ano. Na imagem, o primeiro mestre-sala e porta-bandeira do desfile de 2017 / Foto: Leonardo Silveira
Festa para turista ver

Alessandro Souza Santos, presidente da Novo Império, uma das escolas mais antigas e tradicionais da capital, destaca a grande presença de turistas nos desfiles. Ele comenta que, no ano passado, das 20 alas da azul e branco de Caratoíra que passaram pelo Sambão, três eram de foliões que vieram para Vitória especialmente para o evento: uma reuniu moradores do Norte do Estado, outra é de visitantes de Minas Gerais, e a última, da terra do samba, o Rio de Janeiro.

“Mesmo no Rio o nosso carnaval já é visto com respeito. Tanto que temos recebido também muitos profissionais de lá, que vêm trabalhar no carnaval daqui”, conta. A escola nota também uma presença cada vez mais crescente de turistas de negócio em seus ensaios. São pessoas que estão aqui a trabalho e acabam unindo o útil ao agradável, ao ir aos eventos nos barracões.

“Isso é interessante porque ajuda a divulgar o Estado para todo o país”, salienta o presidente da agremiação, que estima um gasto de R$ 650 mil para a realização do carnaval deste ano, que terá como tema os 100 anos do Sindicato da Estiva. A inspiração foi a história de grande parte dos moradores do bairro que trabalham no porto.

Profissionalismo

Na Mocidade Unida da Glória (MUG), escola de Vila Velha que tem estado sempre entre as primeiras colocadas do desfile, é carnaval o ano todo. Tanto que o tema de 2019 já está definido e começará a ser trabalhado assim que o desfile deste ano – que vai levar para a avenida o enredo “Amores de Carnaval” – terminar.

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As agremiações conseguem produzir alegorias de alto padrão de criatividade e qualidade, como este carro da Unidos de Jucutuquara, do desfile do ano passado / Foto: Leonardo Silveira

O diretor administrativo Patrick Rocha explica que a agremiação mantém 30 funcionários fixos, de janeiro a janeiro, entre aderecistas, cozinheiros, zeladores e outras funções. Essa turma ganha um reforço de peso com a proximidade do carnaval, quando são gerados mais de 100 empregos na confecção de fantasias e carros alegóricos.

Além do desfile, a escola realiza eventos, como ensaios e shows, ao longo do ano. Em 2017, foram 70, gerando renda e movimentando a economia informal no entorno da quadra, nos bairros da Glória, Soteco e Jaburuna.

Comunidade em primeiro lugar

O presidente da Boa Vista, de Cariacica, Emerson Xumbrega, lembra outro aspecto que faz a diferença para a economia da cidade: a escola, que é a atual campeã do carnaval, privilegia os comerciantes locais. “Cerca de 80% dos materiais que precisamos para fazer o carnaval, como isopor, tecidos e ferragens, são comprados aqui, em Cariacica. Só adquirimos fora daqui quando não tem jeito mesmo. Seguimos à risca o nosso lema, que é ‘Boa Vista – orgulho da nossa gente’”, diz, observando que o carnaval deste ano deverá custar em torno de R$ 700 mil.

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Fonte: Observatório do Turismo de Vitória, órgão da Secretaria Municipal de Turismo, Trabalho e Renda (Semttre)

Para lutar por um novo título, 78 pessoas trabalham no barracão, e 10 costureiras finalizam as fantasias para levar à avenida do samba uma homenagem ao centenário de nascimento de Nelson Mandela. Xumbrega frisa que, além dos empregos diretos, a escola movimenta o comércio local, levando frequentadores para bares e restaurantes da região nos dias em que são realizados eventos na quadra, como os ensaios. “A escola ajuda a divulgar a cidade e a trazer visitantes para cá.”

O mesmo movimento é observado na Unidos de Jucutuquara. No bairro que dá nome à escola, dia de ensaio é dia de bares cheios e muita gente circulando pelo comércio. “Os eventos da Jucutuquara atraem moradores de outros bairros, divulgando o que a comunidade tem de melhor”, diz Andréia Monteiro, diretora financeira da agremiação.
Ela conta que o barracão chega a empregar 60 pessoas na reta final do desfile, sem contar as equipes terceirizadas que confeccionam as fantasias. “Além disso, nossos ritmistas fazem muitos eventos pagos ao longo do ano, como participação em formaturas, casamentos, etc, o que é um reforço para a renda deles também”, conta. Neste ano, a escola vai contar no Sambão a história de resistência contra a escravidão do quilombola Ambrósio, que comprou a própria liberdade e ajudou a libertar outros negros escravos.


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