Boa gestão e planejamento transformam potencial em realidade

Espírito Santo atravessa a crise com gestão firme e atrai investidores e empresários estrangeiros

* Por Fernanda Zandonadi – Conteúdo da Revista Indústria Capixaba (Findes) – Produzida pela Línea Publicações (Next Editorial)

Mesmo diante da crise econômica e política que se instalou no país, o Espírito Santo renova, a cada dia, seu potencial de atrair bons investimentos. Além dos projetos que já estão instalados em terras capixabas e começam a dar seus primeiros frutos, como a fábrica da Volare, em São Mateus, no norte, que em abril último colocou no mercado nacional o primeiro veículo fabricado no Estado, há outras possibilidades que se abrem e que prometem bons negócios locais, em função de um quadro de planejamento e boa gestão.

As contas públicas estão em dia, mesmo com o Espírito Santo sofrendo cronicamente com a escassez de aportes por parte do Governo Federal e acumulando perdas com o fim do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), com a queda no repasse dos royalties do petróleo,
do Fundo de Participação dos Estados e Municípios e da arrecadação em geral (em razão do encolhimento da atividade econômica, do fechamento de empresas, do desemprego e ainda da paralisação das operações da Samarco). Essa capacidade de enfrentamento da crise reforça a confiança de investidores e cria possibilidades reais de atração de novos empreendimentos, principalmente estrangeiros.

Essa resiliência regional trouxe, nos últimos meses, diversas missões internacionais ao Estado, a exemplo da visita de uma comitiva de Angola, recebida no início de maio. O país é o principal produtor de petróleo da África e a terceira economia do continente africano. O governador da província do Zaire, José André Joanes, salientou a importância de maior intercâmbio entre capixabas e angolanos. “Conhecemos algumas possibilidades, entre elas a troca de informações e conhecimentos sobre as tecnologias agropecuárias e as empresas instaladas no Estado. Estamos visitando organizações governamentais e empresariais para avançar nesta relação”, disse Joanes.

Para o assessor de Relações Internacionais do Espírito Santo, José Carlos Fonseca Junior, a visita foi uma ótima oportunidade de negócios. “Esta é a nona missão que o Estado recebe nos últimos oito meses, como parte da estratégia de atrair investimentos. E Angola é um mercado importante, já que importa serviços e produtos do Brasil, sobretudo na área de petróleo e gás”, afirmou.

Também em maio, o Governo capixaba, a Prefeitura de Linhares e a companhia MLog assinaram um protocolo de intenções para a instalação de um complexo na cidade, chamado de Distrito Empresarial Norte Capixaba. O documento estabelece as atribuições de cada parceiro no projeto de criação de um polo empresarial e logístico de 12 milhões de metros quadrados no município. O distrito terá nove unidades: polo de distribuição; zona de processamento de exportação; polo moveleiro; zona de armazenamento e silos; condomínio de serviços; concretaria; zona de processamento (aço e granito); condomínio industrial; e polo gás/químico.

Anteriormente, em abril, foi a vez de Singapura conhecer o Espírito Santo. A embaixadora daquele país no Brasil, Siew Fei Chin, veio acompanhada por representantes da agência econômica IE Singapure. “Acreditamos que temos muito o que trabalhar, de forma conjunta, em uma agenda de longo prazo com o Espírito Santo”, disse, destacando oportunidades de parcerias nas áreas de óleo e gás, mobilidade urbana, educação e tratamento de água.

Para o governador Paulo Hartung, o encontro foi estratégico. “A agenda permite ao Estado dialogar com a região do sudoeste da Ásia. É uma área de grande potencial logístico e tecnológico. Acredito que podemos começar a trabalhar interesses comuns com desdobramentos em médio e longo prazo. Além disso, temos interesse em possibilidades no setor portuário, agricultura, gás e petróleo”, enfatizou.

Também em abril o embaixador da Índia no Brasil, Sunil Lal, e os cônsules Nuno Bello, de Portugal, e Tsuyoshi Yamamoto, do Japão, aqui desembarcaram para conhecer as potencialidades da indústria capixaba, a diversidade dos setores produtivos e quais regiões podem receber novos investimentos.


Vantagens competitivas

“O Estado é muito visado. Em apenas 60 dias, recebemos visitantes e observadores de vários países. Com esse interesse vindo de fora, percebemos que o Espírito Santo é muito bem-visto pelas comunidades internacionais. Não resta dúvida de que a gestão estadual, quando bem-feita, ganha visibilidade. A segurança jurídica é muito benéfica, e o Governo tem realizado isso com sabedoria e propriedade. São poucos os estados que estão em situação positiva como o Espírito Santo. Todas essas visitas às nossas cidades demonstram nossa credibilidade”, comenta o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marcos Guerra.

“O Espírito Santo tem uma série de vantagens competitivas. O equilíbrio fiscal, conquistado graças ao controle das contas públicas promovido na atual gestão, é um diferencial que garante segurança para o empreendedor. Além disso, dispomos de estrutura logística e de localização privilegiada, que facilitam a instalação e a ampliação de empreendimentos. As regras claras e os programas de incentivo também ganham destaque no momento de atrair novos negócios. E, não menos importante, vale ressaltar a nossa vocação para o comércio exterior e a proximidade dos diversos atores da nossa economia, que interagem constantemente para dinamizar o mercado”, enfatizou o titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes), José Eduardo Faria de Azevedo.

Esse conjunto de fatores positivos tem servido de referência. Enquanto o Governo Federal, durante a gestão Dilma Rousseff, recém-afastada da Presidência, sustenta que a crise econômica experimentada hoje pelo país foi causada por fatores externos, em especial pela queda no preço das commodities minerais, o presidente do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Marcos Lisboa, oferece à análise um outro lado da questão, tomando justamente o Estado capixaba como exemplo.

“Se fosse apenas o ambiente externo, e há estatísticas, o Brasil cresceria de 1,5% a 2% em 2014 e 2015. De 2% para -4%, a responsabilidade é nossa. Fazer ajustes em tempos de crise é difícil. Vamos pegar o exemplo do Espírito Santo. O Estado sofreu com a queda no preço do petróleo, das commodities, do repasse de royalties, e sofre com a crise no país. Da mesma maneira que o Rio de Janeiro, que ainda tem as Olimpíadas e bastante apoio. Mas o Espírito Santo não sofre os mesmos problemas do Rio de Janeiro. Tem um governador, Paulo Hartung, que assumiu os problemas de frente, foi claro e transparente, uma secretária da Fazenda (Ana Paula Vescovi) que ajudou a liderar o processo de ajuste e está com as contas em dia. Não foi fácil, mas enfrentou os problemas. Um trabalho que a levou ao comando do Tesouro Nacional. E acho que o que falta hoje é isso; e não essa política oportunista de adiar o problema, transferir a responsabilidade para a nova geração, fingir que não há restrição e deixar a conta para o futuro. A má notícia é que o futuro chegou”, ressaltou Lisboa, em uma entrevista ao programa “Roda Viva”, na TV Educativa.

O Estado hoje é um dos poucos da federação com as contas públicas ajustadas, estruturado, com indicadores favoráveis, graças às políticas públicas e privadas. Essa é a diferença do Espírito Santo em relação ao Brasil, segundo o secretário de Desenvolvimento.

Cinto apertado
O Executivo capixaba fez seu dever de casa. Em janeiro deste ano, em busca da redução dos gastos da administração pública e a fim de retomar o equilíbrio financeiro-orçamentário, o governador Paulo Hartung assinou quatro decretos. Um deles revogou o Decreto nº 3.565-R, que regulamenta o apoio estadual à realização de eventos. Isso significa que, desde janeiro, estão suspensas, por exemplo, novas despesas com viagens, patrocínios, promoção de eventos, participação de servidores em congressos e seminários, entre outros itens.

Um segundo decreto estabeleceu metas para a contenção de despesas em 2015. Uma delas é a baixa, ao longo do ano, de 20% do total consumido com o pagamento de servidores de cargos em comissão e de designação temporária, de dispêndios com passagens aéreas, diárias e combustíveis, entre outras medidas. Nesse mesmo documento, também foi criado um Comitê de Controle e Redução dos Gastos Públicos, que vai adotar e analisar as ações adotadas.

Além disso, outro decreto instituiu a Política de Gestão Pública, que definiu a estratégia geral a nortear a gestão das instituições governamentais. Essa política tem por objetivos promover a prestação de serviços de forma eficiente, gerando os resultados esperados pelos cidadãos, e desenvolver as competências e os meios disponíveis para viabilizar a melhoria constante na produção desses desempenhos.

O quarto decreto determinou a criação de uma Comissão para Análise da Proposta de Lei Orçamentária Anual de 2015. O governador Paulo Hartung explicou a necessidade de ajustar as contas públicas. “Para dar conta dos desafios, será necessário ajustar as contas públicas, contendo a expansão das despesas correntes e recuperando a boa gestão sobre a capacidade de arrecadação do Estado. Seremos fiéis ao compromisso de recuperar a capacidade de investir com recursos próprios, de fazer um uso eficiente das operações de crédito já contratadas, e de liberar as rendas do petróleo para uma aplicação adequada, principalmente a educação, capaz de construir a prosperidade para as futuras gerações”, afirmou o governador.

O secretário José Eduardo Faria de Azevedo destacou a relevância dessas medidas. “O Governo tem feito um grande esforço, desde o início da atual gestão, para manter as contas públicas equilibradas. O ajuste fiscal contou com dois instrumentos principais: a revisão do Orçamento de 2015 e o decreto de contenção de gastos. Essas medidas vêm garantindo as contas em dia sem impacto no serviço prestado à população e ainda têm influência sobre os investidores, que sentem confiança em empreender aqui. Além disso, o Governo tem se mantido firme na decisão de não aumentar impostos, outra ação importante para a manutenção/atração de empresas e para a manutenção/geração de empregos. Toda essa política tem garantido que, mesmo em um cenário nacional de crise, o Espírito Santo continue atraindo indústrias e outros empreendimentos. Vários estão para chegar, outros vão entrar em operação, enfim, há uma lista de novidades na indústria nos próximos meses”, disse.

Investir para avançar
“Entendemos que o Estado passa pelas mesmas dificuldades que o Brasil está enfrentando. Temos muitas indústrias fechando as portas, reduzindo a produção e o quadro de funcionários. Aqui, além de tudo o que já foi dito, o que temos feito é uma aproximação grande com empreendedores e pessoas que buscam qualificação, executando um amplo plano de investimento nas 15 regionais do Sistema Findes. Uma hora a crise vai passar, e isso fica claro neste momento, com a mudança da Presidência. E quando a turbulência começar a se resolver, entendo que não há mais volta, quer dizer, o Brasil vai começar a olhar para a frente e arrancar. Por isso não paramos de investir e preparar não apenas mão de obra, mas também empreendedores, que serão fundamentais neste momento”, enfatiza Guerra.

O dirigente observa, no entanto, que é preciso ser um otimista moderado, com o pé no chão. “Se estávamos prevendo o epicentro da crise brasileira para o final de 2016 e 2017, com a troca de presidente, podemos nos surpreender de forma positiva. A economia vai se recuperar a partir do momento que o Governo Federal e o Brasil retomem a credibilidade e também a confiança dos empreendedores. Em maio, o Índice de Confiança subiu 5,1 pontos no ES, a maior alta em 16 meses”, afirma Guerra, explicando que esse indicador, que mensura a avaliação dos industriais sobre as condições gerais da economia, vem baixando sistematicamente – o ideal é que se mantenha em 50 ou mais pontos, o que denotaria confiança para investir.

Entrevista concedida para a Revista Indústria Capixaba, edição 324, uma publicação oficial da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), com produção editorial Línea Publicações (Next Editorial)
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