Bernardino de Souza Monteiro

Bernardino de Souza Monteiro

A história de Bernadino começou na segunda metade do século XVII, com a vinda para o Estado, atraídos pelas perspectivas abertas pela lavoura do café, de mineiros que aqui se fixaram e criaram núcleos familiares

Francisco de Sousa Monteiro, o patriarca, conhecera no seu estado de origem o comerciante Bernardino Ferreira Rios, que também migrou para o Espírito Santo e se tornou abastado fazendeiro e comerciante em Cachoeiro de Itapemirim. Francisco se casou com Henriqueta Rios de Sousa, filha do seu conterrâneo. Tiveram 11 filhos, entre eles Bernardino de Sousa Monteiro, nascido no dia 6 de outubro de 1864.

Criado na Fazenda Monte Líbano, uma das mais ricas da região, foi ele encaminhado ao Colégio da Senhora Mãe dos Homens, instalado nos píncaros da Serra do Caraça, em Minas Gerais. O  instituto de ensino era dirigido por Irmãos Lazaristas, famosos pela rigidez da disciplina e pelo alto padrão dos seus ensinamentos.

Em 1886, foi para o Rio de Janeiro, em companhia do seu irmão Fernando, a fim de cursar o Seminário São José. O irmão seguiu a carreira eclesiástica até chegar ao Bispado. Bernardino desistiu, foi para São Paulo, ingressou e se formou, em 1893, na Faculdade de Direito da capital paulista. Retornando a Cachoeiro, advogou na cidade, granjeando popularidade por sua urbanidade e pelos seus conhecimentos jurídicos.

Casou-se com Iná Goulart, filha do senador Gil Goulart. Repetiu a experiência familiar e teve com ela 11 filhos, ele próprio de uma família de 11 irmãos.

Em 1896, Bernardino Monteiro deu o seu primeiro passo nos negócios da política, elegendo-se pelo PRC (Partido Republicano Construtor) para o Conselho Municipal de Cachoeiro de Itapemirim. Reelegeu-se em 1900 e 1904.

Conviveu depois dessa experiência com períodos de forte agitação política. Em 1907, foi eleito deputado estadual, acumulando o mandato com o de conselheiro municipal, renovado em 1908, como se permitia na época. Nesse mesmo ano, seu irmão Jerônimo Monteiro foi eleito presidente do Estado.

Em 1909, Bernardino foi eleito senador, mas em 1916 sua candidatura à Presidência do Estado gerou a maior crise da Primeira República, provocando forte movimento contrário ao lançamento, inclusive na bancada capixaba no Congresso Nacional. O principal argumento dessas forças, que tiveram o apoio do então presidente da República, Wenceslau Brás, era a acusação de que os Monteiro pretendiam consolidar uma oligarquia familiar no Estado.

Contra sua candidatura, foi lançada uma chapa com os nomes de José Gomes Pinheiro Júnior, adversário dos Monteiro em Cachoeiro, para a Presidência, e de Alexandre Calmon, chefe político em Colatina, para a Vice-Presidência.

Bernardino
Criado na fazenda Monte Líbano, o nome de Bernardino deu origem
à rua onde está localizado o Batalhão de Trânsito (BPTran)

A disputa, que deveria ser por votos, tomou proporções de luta armada e estendeu-se a vários municípios com grande violência, provocando a fuga de centenas de pessoas para Minas Gerais e para o Rio de Janeiro.

As eleições programadas ainda assim foram realizadas. Os dois grupos se consideraram eleitos e foram empossados pelas duas Assembleias que funcionavam; cada uma delas se proclamava legítima. Bernardino ocupou o Palácio, e a oposição fixou sua sede em Colatina, no episódio que ficou conhecido como a “Revolta do Xandoca” (apelido de Alexandre Calmon).

No Congresso, as discussões se alongaram e foram encerradas com a vitória dos Monteiros. A Câmara recusou pedido de intervenção no Espírito Santo, assegurando a posse de Bernardino. No dia 1º de setembro foi aprovada anistia para todos os envolvidos no entrevero. No governo, Bernardino Monteiro se empenhou no desarmamento dos espíritos e com habilidade contornou a crise política.

Entretanto, e apesar disso, forte divergência familiar em 1920, a propósito da candidatura à sucessão estadual, colocou em campos opostos os irmãos  Bernardino e Jerônimo Monteiro.

No dia 17 de maio, o presidente Epitácio Pessoa decretou intervenção federal no Espírito Santo, com tropas do Exército assumindo o controle da situação. Transferido o affaire para o Congresso Nacional, a posse de Nestor Gomes foi finalmente confirmada.

A vitória obtida deu a Bernardino Monteiro o controle total do PRES e fez dele o político mais poderoso do Estado. Voltou ao Senado ao deixar o governo, ali permanecendo até o ano de sua morte, em 2 de maio de 1930.

Copidesque: Rubens Pontes.

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