Avenida Aleixo Neto, mais do que uma via pública.

” Nunca tantos dependeram tanto de tão poucos ” – Winston Churchil. A Avenida Aleixo Neto é mais do que uma referencia na Praia do Canto, um dos mais movimentados e trepidantes bairros de Vitória.

A denominação é, também, uma homenagem à importante personalidade que teve marcante participação nos programas de educação implantados no Estado, uma vocação capixaba que tem fundas raízes na sua própria Historia. “Os jesuítas de Anchieta”, “os imigrantes europeus”, “os homens de visão que prospectaram o futuro e apostaram nele” são três vertentes de uma visão comum, quase épica, de fé, de coragem e abnegação. De acreditar que somente através da educação e do conhecimento um povo pode conseguir sua autonomia e realizar suas melhores e sadias aspirações.

Os jesuítas, empenhados na conversão dos índios à fé católica pela catequese e pela instrução, transmitiam-lhes os rudimentos de uma civilização com a qual iriam eles conviver. O Colégio São Tiago, construído em 1551 (local onde se localiza o Palácio Anchieta) foi um marco determinante no processo de educação no Brasil recém descoberto. Os colonizadores do nosso território inóspito, não trouxeram livros, mas instrumentos de trabalho, e com eles a cultura atávica de seus ancestrais que iriam no tempo marcar fundamente a consciência dos capixabas. Os homens sonhadores, educadores com visão de estadistas, montaram canteiros, plantaram sementes  possibilitando  ao  Espírito Santo  colher os frutos  gerados pelo conhecimento.

Muniz Freire promoveu a primeira reforma de ensino no Espírito Santo, e depois dela nova redemolagem no governo Jerônimo Monteiro vigorou até 1928.  O secretario Atilio Vivaqua criou numa época inimaginável o Curso Superior de Cultura Pedagógica, um avanço  complementado pelo governador Punaro Bley  e por Guilherme Santos Neves cujo lema “O povo educa as elites. O povo educa o povo” parece ter inspirado Paulo Freire quando concluiu: “Educação não transforma o mundo.  Educação muda pessoas. Pessoas transformam  o mundo.”

Foi nesse terreno fértil que Aleixo Neto se distinguiu como teórico e como executor. Descendentes de portugueses, o capixaba Aleixo Neto tomou o rumo da maioria dos seus conterrâneos letrados, ingressando cedo no serviço público.  Onde exerceu atividades durante quase toda a sua vida.  Atuou na Câmara Municipal e na Alfândega, mas foi certamente no magistério que seu nome se projetou como  um dos mais imaginativos precursores de métodos modernos de ensino.

Foi professor, sem se afastar de atividades até certo ponto paralelas, na União e Progresso, mantido pela Maçonaria, e com seus colegas e amigos Afonso Cláudio, Aristides Freire, Amancio Ferreira, Peçanha Póvoa e Lelis Horta, na Sociedade Beneficente de São Francisco, para menores  e adultos carentes. Esse desprendimento que evidenciou também sua preocupação com o futuro dos jovens capixabas, valeu a ele o epíteto de “tradicional educador da infância operaria”, como registrou o jornal “Comercio do Espírito Santo”.

Essa preocupação de Aleixo Neto com a educação e seus desdobramentos levou-o a ter participação no Partido da União Republicana Espírito-Santense, liderado pelo seu amigo Barão de Monjardim, mas foi além com seu espírito universalizado, atuando como membro  do Movimento Abolicionista da Libertadora Domingos Martins, da qual participavam também seus amigos Moniz Freire, Afonso Cláudio e Cleto Nunes.  Foi essa posição dessas eminentes figuras que possibilitou, com entidades irmãs do Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Sul, a criação da Confederação Abolicionista com decisiva  ação na abolição da escravatura no Brasil.

Alma sensível às manifestações culturais, Aleixo Neto participou da Sociedade Teatral Melpomêne e foi presidente da Sociedade Musical Bela Harmonia que marcou época  na sociedade de Vitória. Membro da Irmandade de São Benedito, do Convento de São Francisco, sua profissão de fé religiosa foi um dos instrumentos que o levou a ser reverenciado pelas centenas de alunos  que recebem as benesses  do  seu inquestionável saber.

Encerro esse suscinto registro citando o elogio a Aleixo Neto publicado em  jornal dirigido por Basilio Dalmon: “Grande s e importantes serviços prestados à causa do povo capixaba e à humanidade pelo benemérito espírito-santense Aleixo Neto levaram seu nome a figurar também em noticiários na imprensa estrangeira”. Como a maioria dos homens do seu tempo, Aleixo Neto morreu cedo, aos 44 anos de idade, em 1894.

(Copidesque: Rubens Pontes)

 

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