Antônio Dias de Souza, de tropeiro a nome de rua em vitória

No período de 2001 a 2007, o Espírito Santo foi o Estado brasileiro que obteve maiores e mais saudáveis índices de redução da pobreza, em todo o país. Nos seis anos pesquisados pelo Instituto Santos Neves, 405 mil capixabas foram beneficiados pela política de recuperação econômica e social do governo, uma parcela que corresponde a 13% da população do Estado.


Educador como sempre me conceituei, regozijo-me com a afirmação da economista Ângela Morandi, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), de que a queda da pobreza está diretamente ligada ao maior tempo das pessoas na escola. Nosso biografado desta edição, Antônio Dias de Souza, confirma essa constatação.

Nascido no cenário agreste e insosso do distrito de Princesa, quase limite entre os municípios de Iconha e Rio Novo do Sul, Antônio Dias, como foi batizado por seus pais, Pedro Dias de Souza e Etelvina Dias de Souza, teria seu horizonte de vida circunscrito à fazendola de café desde que veio ao mundo, em 13 de dezembro de 1919, até sua vida adulta. A escola primária unidocente por ele frequentada desde os 5 anos de idade mudou o futuro do menino apontado como inteligente e interessado nos estudos.

Nem a dura realidade econômica de sua família, que fez dele aos 10 anos um condutor de tropa de burros transportando café para venda na região, seria suficiente para modificar o destino reservado a Antônio Dias de Souza.

Contribuiu para isso o esforço de seus pais, que o trouxeram em 1932 para estudar em Vitória, matriculando-o, em regime de internato, no Colégio Americano.
Pensava inicialmente em cursar Medicina, mas parece que sua vocação real era o Direito. Foi, entre 105 candidatos, o primeiro colocado no concurso para ingresso nesta faculdade.
Dificuldades financeiras não se tornaram impedimento para que pudesse chegar à universidade. Estudou em livros usados, comprados de colegas, e dava aulas no Colégio Americano. Formou-se em 1941, distinguido por seus colegas como orador da turma dos novos bacharéis.

Advogado atuante no Foro de Vitória, ganhou notoriedade, sempre obtendo primeiras colocações em concursos, desde para atuar no magistério do ensino médio, como criador da cadeira de Geografia do Brasil na Escola Normal Pedro II, na habilitação para inspetor federal de ensino secundário, até para agente de Estatística e Assistência Jurídica. Foi ainda o fundador da cadeira de Geografia da Ufes, conselheiro da Ordem dos Advogados seccional Espírito Santo (OAB-ES) e conselheiro do Conselho Estadual de Educação (CEE).
Antônio Dias de Souza exerceu a presidência do Instituto de Previdência e Assistência Jerônimo Monteiro (IPAJM) e foi membro do Conselho Nacional de Geografia e da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra.

Não tinha, por outro lado, vocação para atuar na área da política, como ficou evidenciado nas três tentativas frustradas para se eleger deputado estadual. No Poder Executivo estadual, porém, destacou-se como Secretário dos Assuntos de Governo e como Secretário do Interior e Justiça.

O jovem que fora tropeiro aos 10 anos teve seu currículo de vida enriquecido como juiz do Tribunal Regional Eleitoral e do Tribunal de Justiça Desportiva e como professor do Colégio Estadual de Vitória.

Antônio Dias de Souza, que foi casado com a senhora Joanna Provedel, em solenidade realizada no dia 17 de setembro de 1947, e com quem teve quatro filhos – Antônio Filho, Ruy, Sérgio (já falecido) e Paulo –, era irmão da conhecida jornalista e cronista Carmelia de Souza, nome igualmente laureado nos meios da inteligência capixaba.

Faleceu em Vitória, no dia 4 de março de 1980, marcando nos anais das personalidades que deram importante contribuição para o desenvolvimento do Estado o lema herdado de seu pai e encontrado nos arquivos de seu filho Ruy Dias de Souza: “A perfeição do mundo só é possível pela perfeição do homem e, para atingi-la, cada indivíduo deve aprender a viver de modo a dar à sociedade mais do que pode dela tirar, a produzir mais do que consumir, e que a despeito de todo o progresso, a felicidade do homem e a harmonia da sociedade dependem da beleza do caráter do indivíduo”.

O povo de Vitória, por seus representantes no Legislativo e pelo prefeito, perpetuaram a memória da singular figura de Antônio Dias de Souza, dando seu nome a uma rua do bairro Antônio Honório. (copidesque: Rubens Pontes).

Conheça a Rua Antonio Dias em Vitória/ES

 

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