Ano para a saúde driblar a crise

*Por Nadine Alves

O ano de 2016 tem sido de desafios para a saúde do Estado. Um dos principais é manter o funcionamento da rede pública, mesmo diante da crise financeira, da queda de receita e do ingresso de aproximadamente 35 mil novos usuários que, por desemprego ou aperto no orçamento doméstico, perderam seus planos de saúde privados.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Brasil é o terceiro país que mais investe no setor com recursos próprios, e o governo do Espírito Santo tem realizado aplicações que visam à melhoria dos serviços prestados. No dia 30 de setembro, o Executivo estadual enviou para a Assembleia Legislativa a proposta de orçamento para 2017, na qual está prevista a destinação de R$ 2,43 bilhões para a saúde – quase o mesmo valor investido em 2016. Assim como a educação (R$ 2,11 bilhões) e a segurança (R$ 1,78 bilhão), a saúde teve prioridade na distribuição geral dos recursos para o próximo ano, que serão 5,04% menores do que no orçamento atual.

“Especialmente neste momento em que o Espírito Santo tem mais de 230 mil desempregados, em que muitas famílias não têm como arcar com as despesas de planos de saúde e da mensalidade de seus filhos em escola privada, é necessário o suporte público. É importante que a população possa ser acolhida por serviços públicos que funcionem adequadamente”, disse o secretário de Estado da Economia e Planejamento, Regis Mattos Teixeira, em matéria publicada no site G1 ES.

Entre as ações e projetos prioritários para o próximo ano está a construção do Hospital Estadual Geral, em Cariacica, que seguiu sendo a principal meta do governo para a área e teve em agosto a autorização da publicação do edital para os trabalhos iniciais. Concluído, serão mais de 400 leitos, com especializações em neurologia, nefrologia e maternidade, além de atendimento adulto e infantil, com pronto-socorro capaz de realizar aproximadamente 8.200 atendimentos por mês.

Novo São Lucas
Após oito anos em obras, o Hospital Estadual de Urgência e Emergência – o novo São Lucas – inaugurou, no dia 1º de dezembro de 2016, as instalações do pronto-socorro, concluindo o projeto de ampliação e modernização da principal unidade pública hospitalar da Grande Vitória. A estimativa é atender 4,7 mil pacientes por mês. Novos funcionários também foram contratados para evitar a superlotação. Com a inauguração, o número de leitos de pronto-socorro passou de 20 para 35; ao todo, o novo São Lucas aumentou o número de leitos de 109 para 210. As obras de ampliação tiveram início em 2008, com um investimento de cerca de R$ 46 milhões, e aumentaram a área ocupada de 7 mil metros quadrados para 14,5 mil metros quadrados.

Cuidado Integral
De acordo com a Sesa, com o choque de gestão realizado pela nova administração a saúde tem sido colocada como prioridade, e o resultado será a abertura de cinco unidades de cuidado integral, as Unidades Cuidar. Esse novo modelo de assistência, que foi construído a “quatro mãos” pelo Governo do Estado e pelos municípios, terá início, oficialmente, com a inauguração da Unidade de Cuidado Integral à Saúde da Região Norte, até o final de dezembro deste ano. As unidades vão integrar a atenção primária com a média complexidade e com a atenção ambulatorial especializada. O projeto visa a melhorar o processo de trabalho e a resolutividade do serviço, que estará mais próximo do cidadão, reduzindo o envio de pacientes para atendimento em municípios maiores e diminuindo as internações por causas sensíveis à atenção primária.

Doação de órgãos
Ainda conforme informações da Sesa, no segundo semestre deste ano o Espírito Santo avançou no ranking nacional de doação efetiva de órgãos por milhão de população (PMP), passando da 13ª para a 9ª posição. No início do ano, o Estado alcançou a marca de 11,5 doações efetivas por milhão de população. O avanço nessa área é reflexo de diversos fatores, entre eles o fortalecimento das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdotts), que capacita os profissionais dentro dos hospitais, sensibilizando-os para a importância da captação de órgãos.

Farmácia Cidadã Estadual
Os capixabas que precisam fazer tratamento especializado podem ter acesso aos medicamentos de alto custo por meio da Farmácia Cidadã Estadual. Neste ano foi mantido um índice de 92% de cobertura de medicamentos. Atualmente, o serviço oferece 300 tipos de medicamentos. De janeiro a setembro deste ano, a Farmácia Cidadã Estadual realizou 550 mil atendimentos, entre abertura de processos para solicitação de medicamentos e dispensação de medicamentos. O serviço conta com 10 unidades: Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Cachoeiro de Itapemirim, São Mateus, Colatina, Nova Venécia, Linhares e Venda Nova do Imigrante.

Zika, Dengue e Chikungunya
De janeiro de 2015 a novembro deste ano, foram notificados 4.088 casos de infecção pelo zika vírus. O vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo responsável pelo contágio da dengue e a da chikungunya. Os casos de dengue alcançaram 51.848, de janeiro a novembro do corrente ano. Destes, 667 foram graves, 22 são óbitos confirmados e 17 estão sob investigação. A febre chikingunya atingiu 398 pessoas em todo o Estado, durante 2016, e é a grande preocupação das autoridades para o verão de 2017, porque muitas pessoas ainda não contraíram a doença e, portanto, não estão imunes. Não há ainda uma vacina contra a doença.

Operadoras de saúde
Para driblar a crise financeira, os hospitais particulares e as operadoras de planos de saúde tiveram que reformular as suas estratégias. Um exemplo disso é o Hospital Metropolitano, que já vinha adotando um processo de planejamento estratégico com horizonte de três anos, revisado anualmente. Em decorrência disso, o percentual de inadimplência se manteve dentro da média histórica de 2%.

O hospital investiu também na área assistencial, em parceria com o Instituto do Aparelho Digestivo do Metropolitano (IAD Metropolitano), criando uma nova unidade para o diagnóstico e para o tratamento das doenças do aparelho digestivo, com salas equipadas para a realização de endoscopias e colonoscopias.

Já a operadora de saúde Samp inaugurou unidades e realizou ampliações na sua rede de atendimento como a criação de um segmento voltado para o público feminino, a Clínica da Mulher. A proposta do serviço é proporcionar para as beneficiárias um local com serviços direcionados só para elas, oferecendo atendimentos de ginecologia, de obstetrícia ambulatorial, pré-natal e exames de ultrassonografia.

Para vencer a crise nacional, a Samp tem sido flexível nas negociações e se reinventado a cada dia. “Acreditamos que o pior já passou na economia e percebemos uma melhoria. Além disso, estamos otimistas para o ano de 2017”, disse o diretor Marcio Maciel.

A Unimed Vitória também inaugurou novidades em 2016: a Unimed Coração, que integrou e ampliou os serviços cardiológicos oferecidos pelo Hospital Unimed. A cooperativa, que há 37 anos atua no segmento de saúde do Estado, conta hoje com 2.350 médicos cooperados e 334.579 clientes. Ainda em 2016 a entidade conquistou da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) o título, até então inédito no Estado, de Operadora Acreditada no maior nível de excelência, o Ouro. Apenas outras duas operadoras no Brasil possuem esse reconhecimento. “Vivemos uma mudança de cultura com o fortalecimento do modelo de atenção primária à saúde. A conquista desse título é fruto do trabalho e dedicação de todos”, comemora o diretor-presidente Márcio de Oliveira Almeida.

Saúde Municipal
A crise econômica atingiu também os orçamentos de saúde das prefeituras da Grande Vitória. A queda na arrecadação e nos repasses financeiros forçou os municípios a repensarem as suas gestões na área e buscarem estratégias e medidas para manter e melhorar a saúde da população.

Prefeitura de Vitória
A Secretaria Municipal de Saúde (Semus) de Vitória destaca que, para melhorar a qualidade da prestação dos serviços, o município tem usado cada vez mais instrumentos tecnológicos. Um exemplo é o Prontuário Eletrônico, que reúne atestados, receitas médicas, radiografias e exames dos pacientes no banco de dados da plataforma eletrônica. Outro destaque na tecnologia é o serviço de SMS, que permite ao paciente avaliar os serviços através de “torpedo”.

A prefeitura entregou também quatro unidades de saúde, nos bairros do Quadro, Fonte Grande, Favalessa e Itararé. “Mesmo num momento de queda de arrecadação, vamos ter que fazer mais com menos para atender melhor à população”, disse o prefeito Luciano Rezende.

Prefeitura de Cariacica
A Semus destaca a abertura da Farmácia Central Municipal, que entrega gratuitamente mais de 200 medicamentos, oferecendo assistência farmacêutica em tempo integral. Funcionando desde setembro deste ano, a farmácia já aviou 6.430 receitas.

A Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Flexal II está na fase final das obras, com previsão de entrega até o final do ano e de início das atividades no primeiro semestre de 2017. A unidade terá capacidade de atender aproximadamente 10 mil pacientes por mês, em casos de urgência e emergência clínica. O prefeito do município, Geraldo Luzia Junior, declara que a prioridade para o ano de 2017 será investir na área de tecnologia. “O próximo passo será expandir a informatização, dando mais conforto e agilidade, tornando o atendimento mais humano”, afirmou.

Prefeitura da Serra
O maior salto na área de saúde no município foi a inauguração de um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) que já realizou 110 mil consultas na atenção básica, 15 mil consultas especializadas e aproximadamente 500 procedimentos gerais. Foram entregues seis novas unidades de saúde, que ficam nos bairros São Marcos, Carapina Grande, Nova Carapina II, Vista da Serra, Manoel Plaza e Jardim Tropical.

A Serra registrou queda no índice de mortalidade infantil, segundo dados anunciados pelo Ministério da Saúde. Em 2013, a cidade contabilizou uma taxa de 11,85 para cada 1.000 nascidos vivos. Em 2014, esse número caiu para 9,34. “Investimos na infraestrutura e agora vamos investir na qualificação do atendimento nas unidades de saúde. No próximo ano, o município vai concluir a informatização de todas as áreas da saúde, renovando e ampliando seu parque tecnológico”, concluiu o prefeito reeleito Audifax Barcelos.

Prefeitura de Vila Velha
A prefeitura canela-verde optou por investir na reforma de 14 unidades de saúde, em que a informatização promoveu uma total reestruturação elétrica e a instalação de cabeamentos para internet conferiu agilidade aos serviços prestados.

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