Anísio Fernandes Coelho, filantropo e empreendedor

Dois Logradouros para uma justa reverência. O Brasil vivia uma década decisiva na sua história. Iniciava-se o declínio da monarquia que iria culminar com a implantação da Primeira República.

Indicado o marechal Deodoro da Fonseca para a  presidência, foram realizadas eleições para a formação do Congresso  Constituinte.  No Espírito Santo, assumiu  a presidência do Estado Afonso Cláudio de Freitas Rosa,  e no seu  governo foi promulgada a nossa  primeira Constituição. Ganhava força, com a postura do governo capixaba,  a campanha abolicionista, e importantes obras foram  projetadas, como a rede ferroviária e o inicio da construção do porto de  Vitória.

Exatamente nessa fase, em que o destino do Brasil ganhava novos rumos e nova dimensão  nascia  em Cariacica Anísio Fernandes Coelho, nome que se integraria  a alguns dos mais importantes movimentos sociais implantados no Estado. Certamente não foi por acaso sua chegada  no momento em que, com  a  República em  fase  de afirmação, o Espírito Santo e o País necessitavam  de uma nova geração de homens de fé e de força, capaz de emprestar solidez  ao futuro que se descortinava.

Anísio Fernandes Coelho (foto)  cresceu e se formou como cidadão   com o desprendimento  e o espírito de civismo  que eram  características das famílias do seu tempo.  Acreditou que poderia conciliar sua vida como empreendedor e como  filantropo. Cedo, constituiu família, casando-se com Maria Esther Lindenberg Fernandes Coelho com quem teve  nove filhos, aos quais transmitiu educação cristã e amor à Pátria.  Líder nato, sócio da firma Manoel Evaristo Pessoa,  tornou-se  membro  e posteriormente presidente da ACV – Associação  Comercial de Vitória. Presidiu a CERES- Companhia de Expansão Rural Espíritossantense  e exerceu a presidência do RURAL BANK –  Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo. Apostando no futuro, participou de um nova iniciativa no setor das comunicações, tornando-se  presidente da Companhia Telefônica que dava, entre nós, seus primeiros passos.

 Anísio Fernandes Coelho  emprestou ainda importante parcela de sua experiência como homem público, participando do Conselho Consultivo do Estado, no governo João Bley, órgão que contava com a presença de  outras figuras de alto estirpe como Manoel Clodoaldo Linhares, Mário Couto  Aguirre e Antônio Athayde. Kardecista, Anísio Fernandes Coelho dedicou-se  a causas sociais, desdobrando-se como presidente da  LBA-Legião Brasileira de  Assistência  e da Liga Espíritossantense  contra a Tuberculose,  como  Provedor da Santa Casa e Misericórdia de Vitória, Provedor  do Educandário “Alzira Bley”, Provedor do Asilo da Velhice Desamparada e Provedor do Orfanato  Santa Luzia.

Sua postura de alta correção humana e desprendimento reconhecido pela sociedade fê-lo  participar  da Comissão constituída para a construção da Catedral Metropolitana de Vitória. Seu impressionante aproveitamento do tempo deu-lhe condições de  ser escolhido para dirigir a FEES-Federação Esportiva do Espírito Santo e  a presidência do Clube Álvares Cabral. Tendo nascido em janeiro de  1889, Anísio Fernandes Coelho  faleceu aos 77 anos, em  maio de  1966, depois uma vida honrada e profíqua.  Deixou  um legado que fez perpetuar  sua memória com seu nome nominando duas ruas de Vitória, uma em Jardim Camburi  e outra em Jardim da Penha, uma das mais importantes do bairro. (Agradecemos as contribuições do senhor Alencar Garcia de Freitas da ACV e de Maria de Lourdes Lindenberg Ferreira Coelho).

(Copidesque: Rubens Pontes).

 

 

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