André Pereira César

Fotografia - Divulgação

“No caso da sucessão capixaba, a não participação do atual governador, Paulo Hartung (MDB), abriu um flanco para os demais candidatos.”

As eleições 2018 estão próximas e a campanha eleitoral começa a esquentar. O especialista em análise política, procedimentos legislativos e funcionamento dos diversos órgãos do executivo federal, André Pereira César, faz uma primeira análise conjuntural sobre o pleito para o executivo nacional e do Espírito Santo. Bacharel em Sociologia e Ciências Políticas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com especialização em controle orçamentário pela Escola de Administração Fazendária do Ministério da Fazenda (DF), César integrou a Escola de Governo de São Paulo e já acumula vinte anos de experiência no jogo de xadrez político nacional.

ESB – Qual avaliação você faz dos candidatos à presidência da República?

André Pereira César (APC) – As candidaturas refletem a polarização e as incertezas pelas quais o Brasil passa. Todo o espectro ideológico é representado na disputa, da direita mais radical (Bolsonaro) à esquerda mais dura (Boulos). A velha dicotomia PT – PSDB está em xeque, mas, dadas a força e a capilaridade de ambos, nada garante que eles não chegarão ao segundo turno. O grande número de candidatos (treze) a princípio confunde o eleitor, porém, o desenrolar da campanha tornará tudo mais claro. Apesar das diferenças político-ideológicas das candidaturas, todos têm noção da gravidade da situação brasileira e de que é preciso agir. Esse é um bom ponto de partida.

ESB – Quais os impactos da polêmica em torno da candidatura Lula no processo sucessório?

APC – A estratégia do PT em manter a candidatura Lula tem uma motivação básica. Como o ex-presidente é ainda muito competitivo, tendo de saída cerca de 30% dos votos, a manutenção de seu nome na disputa reforça a imagem do partido e constrói as bases de uma candidatura alternativa, muito provavelmente o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad. Cabe ressaltar aqui que Haddad é pouco conhecido fora do Sudeste e a vinculação de sua imagem à de Lula é crucial para o êxito do PT nas eleições. É claro que não existe transferência automática de voto, mas o partido ganha com essa decisão. Desse modo, politicamente falando, a estratégia petista é correta.

ESB – O que dizer do debate como um todo? Os candidatos não estão sendo superficiais dada a gravidade do quadro nacional? Não falta um projeto de País para longo prazo?

APC – De fato, não se encontra, entre as candidaturas postas ao eleitorado, um aprofundamento em torno dos grandes temas, como as reformas da Previdência e tributária, a redução da máquina do Estado e a recuperação consistente da economia. A culpa disso não é dos partidos e dos candidatos. A campanha é curta e as regras eleitorais são relativamente rígidas. Assim, o que vemos são mais “cartas de intenções” apresentadas pelos candidatos. Ao final do processo, o vencedor discutirá esses termos com as forças políticas, Congresso Nacional e governadores, e também com a sociedade, para conquistar uma mínima governabilidade e, a partir daí, começar a implementar uma agenda mais robusta.

ESB – O quer dizer sobre a disputa no Espírito Santo?

APC – No caso da sucessão capixaba, a não participação do atual governador, Paulo Hartung (MDB), abriu um flanco para os demais candidatos. Há claramente um franco favoritismo do ex-governador Renato Casagrande (PSB), que pode usar sua vasta experiência política como um importante ativo de campanha. Os demais candidatos, em especial Rose de Freitas (Podemos) e Manato (PSL), precisam construir rapidamente um discurso para neutralizar o socialista. De todo modo, o novo governador precisará manter o relativamente bom quadro do Estado – que salta aos olhos ao compararmos com a situação fiscal de seus vizinhos Minas Gerais e Rio de Janeiro.

ESB – Como o resultado eleitoral pode influenciar a economia?

APC – A economia responde integralmente à política. Basta ver quando os resultados de uma pesquisa são divulgados – se o líder for do agrado do mercado, ótimo. Do contrário, dólar sobe e bolsa cai. A verdade é que as atuais incertezas políticas travam o ambiente de negócios e deixam o investidor ressabiado. Ao novo presidente, independentemente de sua posição no espectro político-ideológico, será necessária uma imediata manifestação de ponderação e de busca da negociação com os mercados e com o setor produtivo. Caso isso ocorra, será um ótimo começo.

ESB – Como o eleitor pode “qualificar” seu voto? Quais os mecanismos ele dispõe para conhecer seus candidatos?

APC – Felizmente, hoje temos incontáveis meios para avaliar candidatos e propostas. Internet, mídia em geral, conversas com familiares, amigos, colegas de trabalho… muita coisa existe à disposição. O eleitor, antes de escolher um nome, deve primeiramente se perguntar: “o que desejo para mim e para minha família? O que é mais importante para nosso futuro?”. A partir disso, esse eleitor deve olhar com atenção os candidatos disponíveis, averiguar seu passado e suas propostas. Sobre o passado é importante checar se as informações não são falas. Sobre as propostas, avaliar se elas são minimamente factíveis. Com tudo isso, o eleitor estará bem municiado na hora do voto.

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