Alimentos orgânicos, opção de vida e de mercado

A produção de alimentos saudáveis já ocupa 42 milhões de hectares no mundo e cresce à taxa de 4,5% ano

A agricultura orgânica é um modelo de produção caracterizado por não utilizar fertilizantes sintéticos, agrotóxicos, sementes modificadas, reguladores de crescimento animal e intensa mecanização das atividades, visando a reduzir os impactos ambientais, além de cultivar produtos alimentícios mais saudáveis.

Os últimos levantamentos sobre a agricultura orgânica no mundo e no Brasil apontam para um setor com enorme poder de crescimento, que não deve mais ser tratado como nicho de mercado. Em todo o planeta, esse modo de produção de alimentos saudáveis já ocupa 42 milhões de hectares, cresce à taxa de 4,5% ano, o dobro do crescimento dos alimentos tradicionais, e movimenta cerca de 80 bilhões de dólares de produtos certificados.

Segundo o Instituto de Pesquisa de Agricultura Orgânica (FiBL), o Brasil é quinto país em área cultivada com orgânicos. Austrália ocupa a primeira posição, seguida de União Europeia, Argentina e Estados Unidos. Um detalhe: nosso vizinho sul-americano tem 3,1 milhões de hectares de lavouras orgânicas, três vezes mais que o nosso país.

Contudo, segundo dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) ) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), nos últimos cinco anos, o Brasil liderou o crescimento da produção orgânica, com a incrível taxa de 30% ao ano, índice quase sete vezes maior que a média mundial, e mais do que o dobro do percentual do Japão, segundo colocado neste ranking.

Contribuiu para essa performance, a Lei que regulamenta o setor, criada no Brasil em 2003, mas que somente em 2011 adequou-se aos padrões exigidos pela União Europeia. Assim, produtos nacionais estão em conformidade e alcançaram rapidamente o mercado internacional.

Adicionalmente, a ampliação da oferta e do consumo de alimentos orgânicos também foi influenciada pelos diversos estudos científicos que associam determinadas doenças humanas ao consumo de alimentos processados, embutidos e aromatizados. Há ainda o receio da população com relação ao uso de agrotóxicos nos alimentos, principalmente em frutas, verduras e legumes.

Segundo pesquisas de fontes como Qualibest e Bio Brasil Fair, quase ¼ dos brasileiros já adquire orgânicos com alguma frequência e 93% consideram o consumo desses produtos como importante ou muito importante. Preço, para 37%, e disponibilidade (28%) são os principais fatores que ainda limitam o consumo no Brasil.

Ainda são raros os produtores que conseguem produzir em larga escala, fator limitante para que supermercados e redes atacadistas invistam com maior intensidade na distribuição da produção orgânica. E boa parte dos consumidores prefere suprir suas necessidades alimentícias de uma vez só, num único lugar. O mais comum: as prateleiras dos supermercados.

Todos os cenários apontam para o Brasil ampliar a produção de alimentos orgânicos, tanto para suprir as necessidades do mercado interno quanto a do externo. Há muito espaço para avançar. Temos 240 milhões de hectares cultivados, e menos de um milhão com agricultura orgânica. Mais do que uma oportunidade, uma opção de vida e de mercado!

Enio Bergoli é Diretor Geral do DER/ES e Coordenador de Política Agrícola da Sociedade Espírito-Santense de Engenheiros Agrônomos (SEEA)

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