A intrigante mente do aluno universitário

Tenho conversado com alguns estudantes universitários e percebi algo intrigante: a grande maioria desses jovens ainda não atua no mercado de trabalho para o qual está estudando e não se deu conta da necessidade de desenvolver uma estratégia de carreira.

Vou ser mais clara: a pessoa sai de casa (ou do emprego) e vai para a sala de aula com a mesma disposição de quem vai ao cinema. Não demonstra a mínima preocupação com o tema da aula, não procura saber o assunto específico a ser tratado naquele encontro, não tem dúvida, curiosidade ou algo a acrescentar. Chega no horário previsto apenas se o professor conferir a presença com a infame “chamada” e só mantém a atenção se o assunto “cair na prova”.

Aulas noturnas recebem alunos cansados por um longo dia de trabalho, ou chateados por estar perdendo um capítulo da novela ou série preferida. As vestimentas são um capítulo à parte. Se a aula for pela manhã, a escolha pode recair sobre um par de chinelos de dedos combinado com bermuda e camiseta. Na versão feminina temos um microshortinho jeans ou um vestido de veraneio. Tudo bem à vontade. A noite podemos ver looks de baladas, futebol ou novamente as despretensiosas havaianas.
Arrumar-se para quê? Pesquisar o quê? O professor é pago para isso, para ler os livros e trazer à aula mastigado o que interessa saber. É como um processador de informações: pega tudo o que há para ser dito, passa por sua crítica peneira e entrega o que é relevante neste encontro chamado aula. Se algum colega faz diferente e se interessa pela matéria, é logo taxado de puxa-saco e fica mal visto pelos demais. Quem ousa ir mais adequadamente trajado é vítima de piadinhas sobre festas, exames de saúde e coisas do tipo.

Mas quer saber o que me intriga? Por que um ser racional sai de sua casa para encontrar-se com uma fonte de conhecimentos, com a possibilidade de conhecer outros mundos, novas formas de pensar e agir e simplesmente não consegue reconhecê-la quando está bem a sua frente? Se é possível passar duas, três e até quatro horas diante de um manancial de informações, por que rejeitar essa oportunidade, dia após dia, por no mínimo quatro anos? Parece-me tão óbvio que aquela pessoa ali adiante, detentora do título de professor, também pode ser a responsável pela indicação para uma sonhada vaga no mercado de trabalho, que fica difícil acreditar no desprezo com que é tratada diuturnamente.

O aluno está pagando (em forma de impostos ou de mensalidades) para ocupar uma carteira e apenas levar um diploma ao final do curso? Não quer ter uma carreira? Um emprego ou um negócio próprio? Por que não pensar no professor como um olheiro? Ele pode ter a chave para a primeira porta. Estamos vivendo tempos de muita velocidade e pouca assimilação. Aprender fazendo pode parecer mais divertido, só não é o mais eficiente quando se sabe que outros já experimentaram diversas fórmulas e podem nos ajudar a encurtar os caminhos e nos poupar das frustrações do fracasso, apenas com uma leitura ou uma audição atenta às palavras do docente.

A dica para esse aluno: aproveite o convívio com o professor e procure saber alguma coisa sobre o seu curso ou aquela disciplina, mesmo que não “cai na prova”, porque essa informação e o seu interesse talvez possam lhe ajudar a ter uma carreira, a subir na vida!

Gi Oliveira é consultora de imagem corporativa.

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