A apatia do crescimento

O baixo crescimento global refletiu-se em uma desanimadora conjuntura econômica no Brasil em 2012

A conjuntura de 2012 esteve em linha com o baixo crescimento global. Nas economias avançadas o espaço para as políticas contracíclicas – monetárias e fiscais – encontra-se cada vez mais restrito, e o desemprego, ascendente (Europa) ou ainda elevado (EUA). Os reflexos alcançam as economias em desenvolvimento, onde os cenários revelaram-se mais desfavoráveis, especialmente para a China.

No Brasil, os sinais são frágeis, embora a indústria ensaie uma recuperação. As sucessivas medidas de apoio à competitividade industrial (pró-atividade do BNDES, desoneração da folha de salários, desonerações seletivas do IPI) tiveram fôlego limitado. A indústria ainda espera para ver a redução do custo da energia elétrica prometido para 2013, o que até agora somente causou a fuga de investidores do setor.

Os efeitos do afrouxamento monetário de cinco pontos percentuais na SELIC iniciado no final de 2011, da mudança da política cambial com sustentação do dólar acima de R$2, e dos estímulos fiscais (desonerações tributárias) têm sido moderados para reativar o crescimento, embora prejudiciais para a inflação.

O mercado de trabalho se manteve aquecido, ancorado nos ganhos de rendimentos passados e na geração de empregos. A taxa de desemprego sustentou nível surpreendentemente baixo, entre 5% e 6% ao longo do ano. Mas, a persistir o baixo crescimento, poderá haver reflexos na dinâmica do setor de serviços. Isso porque, o crescimento do mercado interno permanece contido por diversos fatores: a inadimplência ainda elevada provoca redução no ritmo de expansão do crédito; a inflação, persistentemente acima da meta, impõe menor espaço para novas reduções da taxa SELIC; e as persistentes desonerações tributárias têm mostrado impacto decrescente no mercado de bens de consumo.

O cenário para investimentos, por sua vez, permanece pouco atraente (capacidade ociosa na indústria, mudanças em marcos regulatórios setoriais com desvalorização de ativos negociados em Bolsa, insegurança jurídica no campo tributário, política macroeconômica com ruídos). Os investimentos vêm declinando por cinco trimestres consecutivos. No setor imobiliário registra-se redução média de 20% nos novos lançamentos, apesar de sucessivos reforços ao crédito imobiliário e do aumento dos subsídios ao programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Todos esses fatores também afetam o Espírito Santo, que segue com o cenário de riscos aumentados pelas subsequentes perdas fiscais impostas por Brasília. As perdas no FUNDAP previstas para 2013 já se fazem sentir na queda das importações estaduais, de -24% em setembro de 2012, ante o mesmo mês do ano anterior. Ainda restam os riscos de judicialização da repartição dos royalties; e o fim já anunciado dos incentivos fiscais sobre o ICMS que, no caso do ES, apoiam um quarto dos investimentos anunciados.

O PIB no Brasil deverá crescer pouco mais de 1% em 2012 e, no máximo, 3% em 2013, o mais baixo crescimento entre os BRICs, no piso dos emergentes. O crescimento vai se configurando apático e conjugado a uma inflação resiliente. Um importante passo para trás na trajetória recente da economia brasileira. Para o Espírito Santo, essa apatia não será diferente.

Ana Paula Vescovi é economista, assessora no Senado Federal e vice-presidente do Ibef-ES

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