2015 o ano da crise de confiança

Que o ano de 2015 será um ano ruim do ponto de vista da economia acredito não existirem dúvidas. As dúvidas, no entanto, ficam por conta do que poderá ser efetivamente feito durante o ser transcurso que possa pelo menos sinalizar na direção de um 2016 de início de uma trajetória mais sustentável de crescimento, mesmo que de forma amena. Isso significa dizer que em 2015 teremos a chance de plantarmos algumas coisas com capacidade e força suficiente para reverter o ciclo descendente dos últimos quatro anos. Se isso acontecer já será um grande avanço.

Mais do que uma crise de natureza econômica o país vive uma séria crise de confiança. E crise de confiança não se reverte apenas com medidas econômicas, por mais necessárias que estas sejam. O ajuste fiscal é mais do que necessário. É decisivo. Mas, este deverá vir respaldado por sinais consistentes vindos, por exemplo, do campo da política e das instituições, especialmente em relação às reformas imprescindíveis  já sobejamente conhecidas. A começar pela reforma política. Mas não podemos esquecer o Brasil necessita avançar mais celeremente também no campo das relações do trabalho, no sistema de tributação, no exagerado e até caótico mundo das leis e das normas.

No fundo o Brasil precisa ser desatado das suas amarras e armadilhas que dificultam a vida dos cidadãos, mas principalmente das pessoas que acreditam e querem empreender, criar riqueza, e mais que isso aumentar a capacidade de criá-la. Refiro-me ao setor produtivo, cujos responsáveis pela sua condução, os empresários, se sentem inibidos ou até desnorteados diante de um ambiente confuso de limitada nitidez em relação ao horizonte do tempo. Sem o acionamento do “gatilho” dos investimentos privados não há como avançar.

Não podemos e nem devemos culpar somente a crise externa pelo que acontece aqui. Até por que as expectativas em torno do crescimento da economia mundial giram em torno de 3,5%; e dos países emergentes, numa média que se aproxima de 4,5%. Mesmo a China, para ondo os olhares se voltam com maior atenção, as expectativas não estão fora da normalidade. No Ocidente, a economia americana continua a surpreender. A exceção fica com a Europa, mesmo assim, os sinais indicam que 2015 será melhor do que 2014, mesmo com o problema da Grécia.

Fixando-nos especificamente nos prováveis desdobramentos para a economia capixaba dessa crise da economia brasileira, que também se mistura agora com uma crise política, podemos vislumbrar uma travessia complicada. Do lado da produção de commodities, das quais temos grande dependência,  à exceção da celulose, não há expectativas em relação a reações nos preços. Mas, não virão delas nossos maiores problemas, mas sim da redução geral do nível  da demanda interna – no território nacional -, afinal para o mercado interno somos mais ofertantes do que demandantes. Assim, nossa indústria de transformação encontrará dificuldades pela frente. Aliás, já vem tendo problemas.

Mas, o que merece atenção e levanta preocupação é o setor de exploração de gás e petróleo. Com expectativas de ocorrerem grandes investimentos em mar e também em terra, esse setor agora se defronta com dois problemas com alto poder de impacto: o do preço do petróleo e o da crise da Petrobrás. O segundo, sem dúvida, é muito mais grave. Na ausência deste, o primeiro seria até contornável. De qualquer forma os dois produzem efeitos negativos na economia e também nas finanças do Estado.

Ou seja, vamos ter que fazer os nossos ajustes aqui também.

Orlando Caliman é economista e sócio-diretor do Instituto Futura

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